Cobrador é morto em assalto em terminal de ônibus
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de abril de 2004
Candice Dequech e Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Um assalto ao terminal de ônibus do bairro Pinheirinho, em Curitiba, na noite de anteontem, resultou na morte do cobrador da cabine do terminal, José Rodrigues. O cobrador foi baleado no peito, por dois homens que invadiram o terminal, e morreu no local. O vigia Vanderlei do Camargo Olegário foi baleado no ombro e está internado no Hospital do Trabalhador.
Segundo testemunhas, no momento do assalto o cobrador teria apenas R$ 18 em caixa. O vigia teria tentado intervir mas, ao perceber que os assaltantes estavam armados, tentou fugir. Rodrigues, que era deficiente físico, não conseguiu correr. A polícia ainda não tem pistas dos assaltantes.
Cobradores e motoristas de ônibus de Curitiba promoveram uma paralisação de meia hora ontem, pedindo mais segurança nos terminais e nas estações-tubo. De acordo com Vanderlei Portela, do Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Transporte Coletivo de Curitiba (Sindimoc), a adesão ao movimento foi de 100%.
De acordo com o Sindimoc, a categoria está revoltada com o avanço da violência contra motoristas e cobradores. Só este ano, já foram 686 casos registrados de assaltos com duas mortes e dois profissionais baleados. O sindicato quer segurança armada nas estações tubo e terminais.
O crime revoltou a família do cobrador. Segundo o sobrinho da vítima, Ersan Rafael, o tio tinha sofrido vários assaltos e não reagiu em nenhum deles. Ele trabalhava como cobrador há 12 anos e tinha duas filhas, uma de quatro e outra de nove anos de idade.
O serviço de segurança nos terminais de ônibus foi terceirizado pela Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs) e os seguranças não trabalham armados. O diretor de Transportes, Carlos Henrique Derrante, admitiu que a violência vem avançando e disse que a segurança armada nesses locais é um caso a ser pensado. Mas ele acredita que a ocorrência de assaltos pode reduzir com a implantação da bilhetagem eletrônica. ''Com menos dinheiro circulando nos caixas das estações-tubo e dos terminais certamente haverá menos atração para assaltos'', antecipou.


