Cobrador é acusado de aplicar 'golpe do seguro' em viúva
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999
Lúcio Horta 
Jair de Oliveira e Silva, que se apresenta como assessor de recebimentos de seguros, em Londrina, está sendo acusado de receber o seguro pessoal de uma vítima de acidente de trânsito e não repassar o dinheiro à família. Quem faz a denúncia é Maria Aparecida Bernardo, moradora do Jardim Castelo (zona leste). Ela fez uma representação contra Silva junto à 10ª Subdivisão Policial de Londrina, através do advogado André Luiz Salvador. O caso agora será apurado em inquérito no 1º Distrito Policial.
Segundo o advogado, o marido de Maria Bernardo morreu em novembro de 97 e Silva teria abordado, ainda no Instituto Médico Legal (IML), uma cunhada de Maria, apresentando-se como advogado e colocando-se à disposição para intermediar o recebimento do seguro.
Maria Bernardo acabou aceitando os serviços de Silva e deu a ele uma procuração para receber tanto o seguro obrigatório do veículo, no valor de aproximadamente R$ 5 mil, quanto o pessoal, de R$ 15.042,00, feito na Companhia Seguradora Gralha Azul. Para isso, cobraria 10% do valor total a ser recebido.
Em 26 de março do ano passado, Silva já teria pago o seguro do veículo da forma como foi combinado. Apresentou também um recibo de sinistro, da Gralha Azul, no valor de R$ 7.542,00, e com a assinatura de Maria com firma reconhecida no Tabelionato Gonçalves, de Lerroville - embora ela garanta que nunca abriu firma neste cartório. Deste total, Maria recebeu cerca de R$ 6 mil, descontada a comissão do assessor. O problema, observa ela, foi com a outra metade do seguro, também no valor de R$ 7,5 mil. Silva teria feito uma série de alegações - entre elas que a seguradora não teria liberado o dinheiro - e se negou a repassar o dinheiro.
Ainda segundo André Salvador, depois de muita insistência - inclusive com a interferência do advogado -, Jair Silva concordou em quitar a dívida em dezembro do ano passado. Ele pagou R$ 2 mil e deu mais dois cheques pré-datados, também no valor de R$ 2 mil cada um. Mas o banco não pagou os cheques alegando que a conta do cliente estava encerrada. Por isso, Maria resolveu entrar com a representação policial contra Silva por apropriação indébita, estelionato e falsificação. Também pede a prisão preventiva do assessor de seguros.
Segundo o coordenador de sinistro da Gralha Azul, Jediel de Oliveira Júnior, no dia 26 de março de 1998 a seguradora pagou a Jair Silva dois cheques no valor de R$ 7.542,00. Quando é morte acidental, a seguradora paga metade como morte acidental e metade como morte natural, informa.
Ele observa que não poderia deixar de fazer o pagamento a Silva - já que ele estava documentado com a procuração - e que depois até tentou ajudar Maria, sem sucesso. Procuramos o Jair e ele disse que não havia passado a outra metade do seguro. Mas a seguradora agora não tem mais nada a ver, apenas fez a sua parte, diz. Jediel Júnior informa também que Jair Silva levava muito serviço para a seguradora por conta do seguro obrigatório de veículo. Depois de outubro, no entanto, quando começaram as reclamações do caso de Maria Bernardino, não apareceu mais.
O delegado Edmo Ermenegildo, do 1º Distrito Policial, disse que espera abrir inquérito para apurar o caso na próxima semana, quando receber a representação criminal. Ele observa ainda que Jair Silva esteve envolvido em pelo menos outros dois casos: montagem de certidões de óbito e laudos falsos da Polícia de Trânsito, para recebimento do seguro obrigatório, denunciado em janeiro pela Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado e Capitalização (Fenaseg); e também tentativa de suborno contra um funcionário do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina (leia texto nesta página). Ambos os inquéritos já foram concluídos e encaminhados para o Fórum.


