Cobrador aconselha colegas
Albari RosaO cobrador Lauro Lazzarini da Silva já perdeu a conta de quantas vezes foi assaltado
O cobrador Lauro Lazzarini da Silva sabe de cor como agir na hora de um assalto. Trabalhando na linha mais perigosa da cidade -Sabará -, ele aconselha os novatos da profissão a baixar a cabeça e obedecer a tudo que os assaltantes pedem. Lauro foi assaltado mais de 30 vezes. São tantas que perdeu a conta. A última foi no sábado passado, em pleno lançamento do programa de policiamento ostensivo.
Lauro diz que os assaltantes são sempre os mesmos. ‘‘Eles atacam numa das ruelas do bairros e fogem entre as ruas’’, reclama, afirmando que a polícia poderia prendê-los facilmente, colocando um policial à paisana. ‘‘Não é difícil resolver o problema da criminalidade, basta fazer as coisas com bom senso’’, sugere. No entanto, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Luiz Fernando de Lara, diz que a sugestão do cobrador não é viável. ‘‘Colocar um policial à paisana em cada ônibus seria deslocar uma grande parcela do efetivo nesta operação. Afinal são cerca de 1.600 circulando por dia’’, justifica o coronel. Para ele, a tropa estaria trabalhando no limite, porque teria diminuído o número de folgas.
No entanto, o motorista Sérgio Chichoski, da linha Carmo/Mafra, entende que a solução é simples. ‘‘Basta colocar policiais nas linhas perigosas. Se isso estivesse sendo feito, um guarda estaria prendendo os jovens que tentaram assaltar agora o meu carro’’, afirma Sérgio, que na segunda-feira foi abordado por três jovens armados. ‘‘Vestindo capuz e bonés, eles vieram correndo contra o carro, apontando suas pistolas’’, diz.
O cobrador do ônibus Carmo/Mafra, Luiz Augusto Bora, conta que na hora em que os jovens tentaram subir havia passageiros no ponto. ‘‘Mas tivemos que deixá-los esperando no ponto, para não colocar em risco os demais passageiros’’, fala. Essa tática de não abrir a porta para os suspeitos é usada por todos os motoristas.
‘‘Depois das 22 horas, deixar embarcar quem você não conhece é muito arriscado’’, diz o motorista do Interbairros IV, Claudiomar Osvaldo. Ele conta que passou a adotar esta prática depois que foi assaltado por três jovens. ‘‘Eles me mantiveram por 40 minutos na mira de um revólver, por isso não quero mais saber de risco’’, diz.

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