Cobra, maconha, armas e fotos dos filhos decoram sala insólita
Cobra, maconha, armas e fotos dos filhos decoram sala insólita
A sala de Bradock é incomum, como ele próprio. Ao entrar, vê-se uma cobra verde no assoalho sob a mesa e a esquerda um pé de maconha, apreendido na beira do rio que divide os estados. Do teto, despencam seis aviões de brinquedo presos em fios de nylon. Penduradas na parede, armas - de facas a granadas - dividem espaço com fotos dos dois filhos e da mulher de 18 anos, quadros de jatos americanos e dele mesmo. Aqui a foto do Sadam, diz, apontado para seu retrato. O adereço que considera mais importante, no entanto, é um boné do MST, que pertence ao agricultor Celso Anginoni, um dos líderes do movimento, preso pelo delegado em Querência do Norte. É o troféu do Bradock, afirma.
O ambiente insólito para uma delegacia é apenas a ponta da linha que divide Bradock de outros delegados e a Delegacia de Rio Negro das demais do País. Uma simples comparação com a delegacia da cidade vizinha é suficiente para mostrar as diferenças. Em Mafra, trabalham 17 policiais, enquanto Bradock é o único agente de Rio Negro - recebe ajuda de sete funcionários da prefeitura. Em Mafra, foram furtados cinco carros desde o começo do ano. Em Rio Negro, ocorreram dois furtos nos últimos três anos. Trabalhando quase sozinho, Bradock levou os índices de violência a quase zero e é adorado pela maioria da população. Quando chegou à cidade, afirma Bradock, os assassinatos e estupros eram frequentes. Agora, diz, são raros.
O tratamento aos presos, porém, é a maior das diferenças. Dos 34 detentos, 12 estão em liberdade e trabalham. Estes, ao contrário dos demais, não dormem em cubículos, mas em alojamento, comem numa grande mesa, assistem TV, fazem exercícios numa sala de musculação, jogam futebol, fabricam massa e chinelo e têm aulas de mecânica. Os analfabetos estão estudando.
Com isso conquistou os presos, como o eletricista Luiz Sérgio Hening, 32 anos. Condenado há seis anos por homicídio, ele é um dos beneficiados por Bradock. Antes nos tratavam como porcos. Segundo Hening, antes da chegada do delegado não havia higiene, as celas eram superlotadas e as refeições ruins.(J.A.)





