Cobra assusta moradores no João Turquino
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de fevereiro de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
A aparição de uma cobra coral, de aproximadamente 1,20 metro de comprimento, no meio da rua Valdomiro Turini, no Jardim João Turquino, na zona Oeste - uma das regiões mais pobres de Londrina - assustou a população local, na manhã de domingo. A serpente, que possui veneno mortal, ia em direção à casa da empregada doméstica Sandra Lemos, mas foi morta a pauladas por um homem. ''Fiquei apavorada'', confessou Sandra. O ofídio foi guardado dentro de um vidro de maionese, embebido em alcóol.
O fato gerou indignação entre a vizinhança.''A próxima vez que este tipo de animal aparecer, vou jogar na mesa do prefeito'', disse o armador de ferragens, Cícero Guilherme, exigindo que uma providência seja tomada. Os moradores reclamam do mato e do lixo na rua Valdomiro Turini e querem que a área seja limpa. Por outro lado, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informou, através de sua assessoria de comunicação, que os proprietários dos 31 mil terrenos baldios são responsáveis pela limpeza e têm até segunda-feira que vem para roçarem seus imóveis. Caso isto não seja feito, a própria CMTU vai terceirizar a roçagem e depois enviar a conta ao proprietário.
Esta é a quarta vez que a empregada doméstica, que mora em uma casa com outras cinco pessoas, encontra um animal peçonhento. ''Já peguei dois escorpiões embaixo da cama'', lembrou a mulher. Apesar disto, não reclamou a nenhum órgão oficial. ''Na verdade, não sabemos a quem procurar, por isso chamamos a imprensa'', complementou Sandra. Londrina não tem um setor específico para captura deste tipo de animal. ''Antigamente, os ofídios encontrados eram encaminhados ao Instituto Butantã (SP)'', afirmou a coordenadora do Centro de Controle de Intoxicações, Conceição Turini, do Hospital Universitário (HU).
O fato é confirmado pela professora de toxicologia veterinária, Daisy Pontes Netto, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Não recolhemos as cobras vivas porque não temos equipe para isto'', explicou a coordenadora do HU. Segundo ela, os pacientes picados normalmente trazem a cobra morta. ''O animal serve apenas para identificação do soro a ser aplicado e depois é jogado fora'', salientou.
Em último caso, os bombeiros são acionados. De acordo com o comandante do 1º Subgrupamento de Bombeiros de Londrina, capitão Nilson dos Santos Bezerra, eles até capturam animais peçonhentos, mas ''esta não é função dos bombeiros''. Quando este tipo de ocorrência é solicitada, a cobra é entregue à Polícia Florestal, no Parque Artur Thomas, que por sua vez encaminha o animal a um criador em Turneiras do Oeste (49 km a sudeste de Umuarama). ''Ele tem autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para criar cerca de 200 cobras'', esclareceu o sargento Adalberto Alves da Silva.
Da família dos Elapídeos (Elapidae), a cobra coral é o nome comum de uma pequena serpente venenosa de brilhante colorido. Possui um par de presas curtas na parte anterior da boca, através das quais injetam um veneno letal que age sobre o sistema nervoso do homem. Até agora foram descritas aproximadamente 50 espécies de cobra coral. Embora seja difícil para um leigo precisar se a coral é falsa ou verdadeira pois todas apresentam as cores preto, vermelho e branco, dispostas em anéis é mais prudente se afastar ao máximo desses perigosos ofídios.


