CNBB defende pena alternativa para acusado de pequeno delito
CNBB defende pena alternativa para acusado de pequeno delito
Das agências
O presidente da CNBB, cardeal-arcebispo Dom Lucas Moreira Neves, defendeu ontem, em Salvador, penas alternativas para os acusados de pequenos delitos. Para Dom Lucas, esta seria uma das soluções para se resolver o problema da superlotação carcerária no Brasil. O assunto é um dos itens que será discutido este ano dentro da Campanha da Fraternidade, que tem como tema A fraternidade dos encarcerados.
Em sua 35ª edição, a campanha pretende alertar e colocar em debate a situação das prisões e as condições de vida dos presos do País. Pelo documento divulgado ontem, a Igreja Católica pretende estimular ações concretas para uma mudança e melhoria da política penal, criação de conselhos de comunidade nos quais Estado e sociedade assumam, em parceira, a questão penitenciária e capacitação dos funcionários das prisões e da polícia para uma atuação educativa e humana.
A campanha foi divulgada em entrevista coletiva do secretário-geral da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, e pelo secretário-executivo da campanha, padre Francisco de Assis Wloch. Todo o material de campanha - cerca de 30 produtos entre livros, cartazes e folhetos - será distribuído a partir de hoje ao público e às paróquias e dioceses de todo o País.
A Igreja não está do lado dos bandidos, nossa escolha é objetiva: regenerar o preso, procurando lutar para que ele seja respeitado e não tenha sua dignidade ultrajada, disse Dom Lucas Moreira Neves.
O cardeal admite que a Igreja não dá a assistência adequada aos detentos, mas explicou que isso se deve à falta de padres. Queremos agora modificar essa situação, declarou, dizendo-se preocupado também com a invasão de seitas nos presídios que, na visão do cardeal, só buscam o proselitismo e atacam a Igreja Católica.
Ele celebrou uma missa no início da tarde no pátio da Penitenciária Lemos de Brito, na periferia de Salvador, assinalando que a partir de agora a Igreja vai realizar um trabalho mais efetivo junto aos presos. O cardeal informou que já vem mantendo contatos com o Ministério da Justiça para discutir a situação e soluções.





