CMTU vai usar tecnologia contra cambistas
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Gritaria, abordagens violentas e até mesmo palavrões. Os cambistas apelam para tudo na hora de vender créditos de transporte. Quem imaginava que a presença de câmeras de vigilância e seguranças dentro do Terminal Urbano de Londrina iria acabar com esse tipo de fraude, se enganou. Proibidos de permanecer no interior do terminal, eles insistem em abordar os usuários de ônibus que circulam nas proximidades.
Criatividade não falta para driblar os obstáculos. Conforme a reportagem da FOLHA testemunhou, alguns cambistas estão utilizando peneiras de cabos longos para recuperar os cartões de transporte sem entrar no terminal. Depois de utilizar o crédito e passar pela roleta, o usuário é orientado a devolver o cartão na peneira. O utensílio é então puxado de volta pelo cambista.
Se depender da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), os dias dos cambistas estão contados. Segundo o coordenador de transporte coletivo, Wilson de Jesus, até o fim de outubro a Companhia deve ter meios de identificar os donos dos cartões que estão sendo utilizados ilegalmente. ''Estamos providenciando softwares que vão identificar as repetidas vezes que cada cartão é apresentado no terminal. Pelo número do cartão, temos como saber quem é o beneficiário. Vamos comunicar as empresas, o Ministério Público do Trabalho e o INSS. O vale-transporte é um benefício a que o trabalhador tem direito e quem vende esse benefício pode perdê-lo'', enfatizou.
Jesus afirmou que os transtornos só ocorrem na área externa do terminal. ''Desde julho, quando foram instaladas as câmeras e contratados os seguranças, não há mais cambistas dentro do terminal. Na rua não temos o que fazer, é uma questão de fiscalização, mas para que os agentes possam abordá-los, é necessário que seja feito algo em conjunto com a polícia'', comentou.
A estudante de enfermagem Júlia Silvia Ferreira, 18 anos, que passa pelo terminal praticamente todos os dias, disse que evita a calçada da Rua Professor João Cândido, que fica em frente às roletas, para não ser abordada pelos cambistas. ''Sempre que posso, pego ônibus em outro lugar para entrar direto no terminal. Os cambistas abordam a gente de forma grosseira, são mal-educados e ficam bravos quando não compramos seus créditos. Sinceramente, eu tenho até medo'', confessou.
Apesar do tumulto, há usuários que se aproveitam do comércio ilegal. Uma costureira de 31 anos admitiu para a reportagem da FOLHA que compra os créditos dos cambistas. ''Você economiza até dez reais por mês se comprar os créditos por R$ 1,75 ao invés de pagar R$ 2,00. Se a tarifa baixasse a gente não precisava comprar deles'', disse.
Para Jesus, a grande quantidade de pessoas que ''colaboram'' com esse tipo de comércio ilegal, como a costureira, é uma das causas do problema. A outra são os trabalhadores que vendem os créditos para os cambistas. O vale-transporte é um direito do trabalhador e é fornecido gratuitamente pelas empresas. O funcionário que não precisa do benefício deve comunicar a empresa, e não comercializar os créditos. ''Os empresários precisam fiscalizar se os empregados estão realmente utilizando os benefícios que lhe são dados. Nós vamos ficar em cima disso para que esse problema acabe na fonte'', alertou Jesus. (Colaborou Vanessa Navarro)


