Não foi surpresa para o diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, que a reportagem tenha observado tantas infrações e tão poucos fiscais. Ele admite que o número de agentes do órgão está longe de suprir a demanda.
''Temos 9 fiscais por turno, sendo que dois têm que ser destacados para a Zona Azul. A cada dia, definimos locais diferentes para a fiscalização, não há como mantê-los em pontos fixos. No Centro, então, é impossível botar um agente em cada esquina'', afirma o diretor, que sustenta a necessidade de pelo menos 120 funcionários para fazer o trabalho.
A ajuda vem dos chamados pardais, 16 equipamentos espalhados pela cidade que registram avanço de sinal e parada sobre a faixa de pedestres. O trabalho de fiscalização também poderia ser favorecido pelos radares de controle de velocidade - 46, segundo o projeto da CMTU - mas desde o ano passado a aquisição e instalação dos aparelhos está emperrada em problemas de licitação.
O subcomandante da 2Companhia de Trânsito (Ciatran) de Londrina, tenente Alessandro dos Reis, diz que o órgão age de forma integrada com a CMTU e realiza blitze diárias, mas que é inviável fazer as operações nas ruas mais movimentadas do Centro. ''É preciso ter áreas laterais para que possamos estacionar as viaturas e parar os veículos. As vias do Centro são muito estreitas, desproporcionais ao fluxo, e uma blitz ali pararia o trânsito'', afirma.
Ele ressaltou que nenhuma fiscalização será suficiente enquanto o comportamento dos motoristas não mudar e lembrou que a principal causa de acidentes no município é a desatenção ao volante. ''O trabalho de educação para o trânsito está sendo feito desde a pré-escola até a idade adulta, mas infelizmente muitos motoristas persistem no erro'', observou.
No mês passado, a Ciatran registrou 383 acidentes em Londrina, com 206 feridos e 4 mortos. A média de ocorrências ficou em 12,7 acidentes por dia. Em relação a fevereiro de 2006, o número de mortes caiu (de 8 para 4) e o de feridos aumentou (de 200 para 206). Em todo o ano passado, foram 5.500 acidentes com 77 mortes. O tamanho da frota londrinense ajuda a explicar tamanha violência: são 245 mil veículos, média de um para cada dois habitantes. (V.N.)

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