A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina revogou ontem a autorização para a realização da 7 edição da Cincão Fest, que aconteceria de hoje até o dia 11 na Avenida Saul Elkind (Zona Norte). A alegação foi de que o texto da lei que incluiu o evento no calendário oficial da cidade foi adulterado pelos organizadores, que teriam suprimido a informação de que a festa deveria acontecer anualmente apenas em setembro. A CMTU exigiu a liberação da avenida ainda ontem. O organizador da Cincão Fest, Eros Azulai Ramos, entrou na Justiça para tentar conseguir uma liminar que garanta a realização da festa.
Segundo o presidente da CMTU, Gabriel Ribeiro de Campos, a empresa foi ''induzida ao erro'' porque acreditou na credibilidade acumulada por Ramos nos últimos seis anos. Ele disse que a adulteração do texto da lei municipal 9.029, de janeiro de 2003, só foi descoberto porque um contador morador dos Cinco Conjuntos ligou no final da tarde de quinta-feira para a Companhia e apontou a irregularidade. Ontem mesmo, a licença foi revogada e a organização da festa foi informada de que teria que liberar a avenida para o trânsito imediatamente, o que não aconteceu. A CMTU exigiu ainda o recolhimento do material de divulgação em 72 horas. O assunto foi repassado para as procuradorias jurídicas da CMTU, da Prefeitura e da Câmara Municipal.
A decisão foi anunciada na presença de representantes da Associação do Comércio e Indústria da Região Norte (Acirenor) que reclamaram que a festa nesta época do ano é prejudicial aos comerciantes por causa da interrupção do trânsito. ''A região cresceu e se modificou e a festa precisa ser repensada. Não temos nada contra a festa mas o problema é o local'', destacou o presidente da entidade, Paulo Roberto Assêncio. Pela via circulam 17 mil veículos por dia. Elson da Silva é dono de um supermercado localizado na quadra onde foi montada a estrutura para as barracas e alegou que o estabelecimento fica isolado durante quase 15 dias por causa da festa: ''estava pensando até em fechar e dar férias coletivas porque é difícil ficar os funcionários um olhando para a cara do outro''.
O organizador da festa disse acreditar que a decisão da CMTU tem motivação política porque em anos anteriores ela também não ocorreu em setembro e ninguém reclamou. Ele alegou que o problema no texto da lei aconteceu porque um estagiário teria pego a cópia da Internet sem saber que se tratava do projeto da lei, antes de ser sancionado. ''Não houve dolo nem desejo de enganar ninguém porque quem iria se beneficiar com isso? Caberia à CMTU analisar a lei antes de conceder a autorização para a realização da festa'', rebateu. Ramos criticou ainda que a Cincão Fest não recebe nenhum incentivo municipal embora faça parte do calendário oficial da cidade.
As entidades que participam da festa foram surpreendidas pelo cancelamento e até o final da tarde prosseguiam com os preparativos. Presidente da Associação de Moradores do Conjunto Violin e da Escola de Samba Império da Zona Norte, Valter André, apontou que já havia gasto R$ 1,5 mil e não podia perder o investimento.

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