A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina está recolhendo colchões, materiais de barracos e outros pertences dos moradores de rua que ocupam áreas públicas no Centro da cidade, sob a justificativa de que não é permitido residir nessas áreas. O objetivo central dessa ação é fazer com que as pessoas em situação de rua (tanto moradores antigos quanto pessoas que saíram de casa por qualquer motivo) abandonem esses locais e sejam encaminhados para instituições assistenciais.
De acordo com o diretor de Operações da CMTU, Fábio Reali, a iniciativa partiu da própria Secretaria de Assistência Social, com recomendação do programa Sinal Verde (parceria da secretaria com a Epesmel) e atende também a pedidos dos moradores da região, já que muitas vezes os andarilhos se acomodam em frente a lojas e hotéis. ''Esse trabalho não tem nenhuma conotação violenta ou autoritária. É uma ação de caráter fundamental até para manter a dignidade dessas pessoas. Você não pode ficar impassível depois de ver gente morando nesses locais'', argumentou. Ele acrescentou que se trata de uma atividade rotineira, que vai se repetir enquanto perdurar o problema.
''Não estão sendo retirados pertences pessoais, mas entulho que esses moradores acumulam nos locais, colocando em risco não apenas a própria saúde, mas também a da comunidade'', justificou a gerente do Sinal Verde, Sandra Coelho. De acordo com Reali, a grande maioria do material recolhido é descartada por ser considerada ''material inservível''.
Segundo Sandra, a ação da CMTU é em conjunto com a Polícia Militar (que escoltou os funcionários para garantir a sua integridade), e faz parte de um trabalho de conscientização e encaminhamento realizado pelas secretarias de Ação Social e da Saúde. ''Nós realizamos visitas diárias a essas pessoas, em um trabalho de convencimento frequente. Nossa prioridade é a questão humana, a integridade de quem está em situação de rua'', esclareceu.
O diretor de Operações da CMTU acredita que dessa forma vai ser possível resolver o problema desses sem-teto. A ação, porém, provocou revolta nos moradores de rua que se abrigam no terreno ao lado do Pronto Atendimento Infantil (PAI). ''Nós estávamos em oito pessoas. Eles vieram com um caminhão e dois policiais de moto, mandaram a gente sair daqui e começaram a pegar nossos colchões. Nós começamos a brigar com eles e eu recuperei meu cobertor'', contou uma jovem de 20 anos, moradora do local há quase um ano.
Ela descartou a possibilidade de recorrer a uma instituição, argumentando a falta de vagas para casais (seu marido ''reside'' no terreno junto com ela) e as regras desse tipo de entidade. ''Vamos ficar aqui. Se vierem de novo, nós vamos fazer protesto, vamos queimar tudo, juntar o pessoal da rua e quebrar os carros que tiverem passando'', ameaçou.
Caso eles venham agir dessa maneira, o diretor da CMTU informou que pode acionar a polícia, para que os agressores respondam criminalmente pelos atos. Reali lembrou que o município oferece uma rede de inclusão permanente, bastando apenas a disponibilidade dessas pessoas em receber a assistência.

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