A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina realizou, ontem de manhã, a retirada das milhares de pilhas despejadas irregularmente em um terreno onde funcionava antigamente uma central de moagem do município. A área, localizada na Chácara São Miguel (Zona Sul), pertence ao município, mas hoje está cedida para a ONG Cepeve, de coleta seletiva.
As pilhas foram acondicionadas em mais de dez tambores de plástico e levadas para um depósito da limpeza pública, no Centro. ''Vamos armazenar onde não seja possível contato com o público nem possa haver manipulação indevida'', explicou o presidente da CMTU, Mauro Yamamoto, sem saber prever, porém, quanto tempo o material vai permanecer ali. ''Vai depender de quando as empresas fabricantes farão o recolhimento, ou, quando for construído o novo aterro, criaremos um espaço específico para pilhas, baterias e lâmpadas'', afirmou.
Yamamoto reconheceu que parte das pilhas é proveniente do órgão, por meio da coleta seletiva, mas disse ter recebido informações de que tenha havido também despejo de particulares no local. Ele ressaltou que havia plástico entre as embalagens, e que todo o material estava sobre um piso de concreto e com cobertura. ''Com certeza não houve danos ambientais'', garantiu.
''Estava coberto com lona e dentro de caixas, mas a molecada e algumas pessoas iam mexer, rasgavam tudo'', relatou Luciana Aparecida Catarino, que, há mais de três anos, mora irregularmente em uma pequena construção ao lado de onde foram encontradas as pilhas, com seus três filhos. Um deles comentou que o despejo foi realizado há uns dois anos, e garantiu que não brincava com o material. Luciana mostrou-se preocupada com a possibilidade de ter de deixar o local. ''Vim para cá porque não tenho condições de pagar aluguel, e não tenho para onde ir'', comentou.
O presidente da CMTU disse não ter recebido nenhuma comunicação, notificação ou autuação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) nem da Promotoria do Meio Ambiente. ''Acho que tudo deve ser amplamente investigado para que não pairem dúvidas''assumiu.
Yamamoto alegou, porém, que com o passar do tempo ficou difícil identificar a autoria, a origem do despejo e imputar responsabilidades. ''O importante é que não houve dano. Poderia ter sido muito pior. E agora vamos cuidar para que não ocorra novamente.'' Ele ressaltou ainda que a destinação final das pilhas e lâmpadas fluorescentes, por lei, é de responsabilidade do fabricante. ''Os comerciantes precisam disponibilizar postos de coleta para a população, para que posteriormente o fabricante recolha'', lembrou.

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