Recolher os materiais descartados de forma irregular, que podem servir de criadouro para o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. É com este objetivo que equipes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e da Secretária de Saúde de Londrina deram início ontem ao mutirão de limpeza nos ecopontos do Jardim Cafezal, Tarobá e Nova Conquista (zona sul) e no entorno do Jardim São Jorge (zona norte), onde ficava o assentamento Nossa Senhora Aparecida, com 182 famílias. No final do ano passado elas foram alocadas para o Jardim São Jorge, também na zona norte.
Ao todo, 249 pontos com os maiores índices de focos do mosquito, de todas as regiões, foram mapeados pelo setor de Endemias e pela companhia. Considerando as primeiras ações realizadas pela CMTU desde o início da semana, que inclui a limpeza das áreas de despejo irregular de lixo no Jardim Aeroporto (zona leste), já foram recolhidas cerca de 840 toneladas de lixo e entulho.
Durante a manhã de ontem, a reportagem acompanhou o início da operação no antigo assentamento. "Já estava mais do que na hora de limparem isso daqui. As famílias deixaram os barracos há uns três meses e ficou tudo abandonado, juntando água e criando mosquito", destacou o porteiro aposentado Joaquim Fernandes Matos Júnior, morador do Jardim São Jorge.
Ele conta que o acúmulo de lixo sempre preocupou muito os moradores. A situação, segundo ele, se agravou após a mudança das famílias, que deixaram para trás sofás antigos, eletrodomésticos, roupas e outros entulhos.
A merendeira Adriana Raimundo André, que há sete anos mora com o marido e os dois filhos na Rua Antonio Marcelino de Oliveira, em frente ao local de despejo irregular de lixo, sentiu na pele as consequências do problema. No segundo semestre do ano passado, ela foi diagnosticada com dengue e acredita que tenha sido picada devido à fácil proliferação do mosquito com o acúmulo do lixo.
"Minha família cuida, coloca areia nos vasos de planta, não deixa pneu, nem nenhuma embalagem acumulando água, mas nem todo mundo aqui no bairro é assim", desabafa.
O vizinho de Adriana, o auxiliar de produção José Carlos Marques, diz que não foram poucas as vezes que viu pessoas jogando pneus usados no local. Ele e a sobrinha de 16 anos, que mora na mesma casa, também tiveram dengue no ano passado.
Segundo o coordenador de fiscalização urbana e ecopontos da CMTU, Devair Almeida, até o final da tarde de ontem seriam retirados 40 caminhões de lixo somente do entorno do São Jorge. A maioria do material será encaminhado ao antigo aterro do Limoeiro e os restos de galhos serão encaminhados à Central de Tratamentos de Resíduos (CTR).
De acordo com o diretor de Operações da CMTU, Gilmar Domingues, a ação nos bairros citados deve se estender até o final da semana. Já na próxima semana, os trabalhos serão realizados no Jardim Santa Joana, União da Vitória, Nova Esperança e São Lourenço (zona sul), além dos ecopontos localizados no Jardim Abussafi (leste), Bandeirantes (oeste), jardins Santo André, Primavera e José Giordano (zona norte). "Nosso trabalho tem como foco inicial solucionar o problema do lixo nestes locais com maior índice de proliferação do mosquito, porque este não é só uma questão ambiental, mas um problema de saúde pública."
Domingues acrescentou que a companhia realiza também operações de fiscalização, com rondas de hora em hora nos principais pontos de despejo irregular. Já as ações educativas, em parceria com a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), devem ter início até a primeira quinzena de fevereiro.
Neste ano foram registrados 9 casos de dengue em Londrina, sendo dois autóctones, além de 198 notificações. Um novo boletim deve ser divulgado hoje pela Secretaria de Saúde.

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