A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) está estudando formas de forçar os proprietários de terrenos a roçar seus lotes com frequência, impedindo que sejam tomados pelo mato, como é comum nesta época do ano. Uma das propostas que vêm sendo estudadas é o aumento da multa, que hoje é de R$ 0,20 por metro quadrado, e passaria para R$ 1,00 por metro quadrado. Outra proposta é ajuizar ações, fazendo com que as multas fossem cobradas via poder judiciário.
A intenção de aumentar o valor das multas foi revelada pelo diretor de operações da CMTU, Fábio Reali, ao promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, na tarde de ontem. O Ministério Público interveio depois de ser procurado por moradores do Jardim Columbia (Zona Oeste), que há muito convivem com o problema. Durante a reunião, o promotor quis saber quais providências vêm sendo tomadas pela companhia, e alertou sobre a necessidade de agir rápido. ''Todo o trabalho da Secretaria de Saúde no combate à dengue pode cair por terra se algo não for feito. É uma questão de saúde pública, que interfere também na segurança da população'', defendeu.
Para Reali, que participou da reunião acompanhado de outros dois funcionários do setor de roçagem e capina da CMTU, os moradores ''estão cobertos de razão'' quando reclamam. Ele explicou que Londrina tem aproximadamente 26 mil terrenos não edificados. Destes, em torno de 12 mil não encontram-se devidamente limpos. ''Tem muito proprietário que paga a multa (em média R$ 60,00) e não limpa o terreno'', disse o coordenador de roçagem, Alexandre Zuliani.
Para alterar o valor da multa, será apresentada proposta de alteração no Código de Posturas do município, que deverá ser votada na Câmara de Vereadores. O promotor se comprometeu a apoiar a iniciativa. ''Hoje a multa não tem o poder inibitório que deveria. Para alguns é quase nada'', argumentou Reali. O diretor admitiu que atualmente há terrenos públicos precisando de roçagem, mas são minoria. ''90% estão devidamente roçados. Nosso tempo de resposta é rápido. Em 15 dias, no máximo, conseguimos providenciar a limpeza, quando somos acionados.''
No Jardim Columbia, moradores convivem com a proliferação de animais peçonhentos nos terrenos e o medo de conviver com assaltantes nas proximidades de suas casas. ''Outro dia uns garotos do bairro disseram que encontraram uma cobra aí. Minha casa já foi assaltada, mesmo com estes muros altos'', contou a dona de casa Loremi Cordeiro da Silva, moradora da Rua Sidnei Miller. Ao lado de sua residência o capim está alto e já não se vê mais a calçada. ''Dizem que o dono é de São Paulo. Em três anos que moro aqui, nunca vi este terreno roçado''. Dias atrás ela pagou para um homem carpir parte do terreno que do outro lado da sua casa, para que possa ''enxergar os vizinhos''.
Outra moradora do bairro, Jandira do Nascimento Lécia, também está indignada. ''Faz oito anos que moro aqui, sempre no meio do mato. Estes donos de terreno tinham que tomar vergonha da cara. Se eles compram os lotes para investir, pelo menos que mantenham limpos'', desabafou. Recentemente, segundo ela, ladrões esconderam a bicicleta no matagal ao lado de sua casa para assaltar a casa de seu filho.

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