CMTU quer motoristas parando para pedestres
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quarta-feira, 10 de agosto de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Se der certo, será uma revolução. As autoridades de trânsito querem implantar em Londrina o sistema em que o motorista pára ante a faixa assim que o pedestre manifesta a intenção de atravessar a rua, mesmo sem a presença de um semáforo. O feito foi alcançado com sucesso na capital do País, onde a partir de 1996 os pedestres passaram a ''ter vez''.
Para operar esse milagre no caótico trânsito londrinense, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) está contando com o mesmo santo: o norte-paranaense Luis Riogi Miura, diretor de trânsito de Brasília entre 1995 e 1998. Atualmente ocupando o mesmo cargo em Maringá, Miura foi convidado pela CMTU para ser uma espécie de consultor no processo de conscientização dos motoristas locais. Ontem, ele apresentou sua experiência na Escola de Trânsito do Jardim Leonor (Zona Oeste).
Quem já esteve em Brasília sabe que lá o sistema realmente funciona. Basta que o pedestre pise na faixa para que todos os veículos parem. ''O que se conseguiu foi imponderável, porque Brasília é um autódromo, uma cidade desenhada só para carros. Lá os motoristas tinham orgulho de dizer que podiam chegar a qualquer ponto em 15 minutos. E tiveram de aprender que a segurança é mais importante do que a fluidez do trânsito'', apontou Miura.
O ex-diretor de trânsito da Capital contou que a mudança de comportamento começou com uma campanha de paz no trânsito implementada em janeiro de 1995 e veio acompanhada de outras medidas, como divulgação exaustiva de estatísticas de acidentes, reformulações na sinalização e fiscalização eletrônica. Junto às faixas de pedestre, foram colocadas placas educativas específicas. O número de acidentes, que na maior parte eram causados por excesso de velocidade, caiu pela metade em quatro anos.
Mesmo com o exemplo bem sucedido, é provável que os londrinenses se mantenham céticos sobre o sucesso da implementação do sistema na cidade, já que a planta local é bem diferente da planejada estrutura brasiliense. Miura lembrou, contudo, que a conscientização dos motoristas em relação aos pedestres também se desenvolveu em capitais como Goiânia, Natal e Boa Vista, só para citar aquelas em que ele trabalhou. ''Não existe cidade onde isso seja impossível conseguir isso. Só é impossível se as pessoas não quiserem'', assegurou. Em Maringá, onde assumiu o cargo em janeiro deste ano, o diretor de trânsito disse que ainda não conseguiu resultados porque a ''máquina burocrática está emperrando o processo''.
Quanto ao desrespeito dos próprios pedestres em relação às regras de trânsito, Miura comentou: ''As coisas estão desajustadas. O pedestre não usa a faixa porque não tem nela o seu espaço garantido. A partir do momento em que ele souber que está em segurança na faixa, passará a respeitá-la'', afirmou.
O diretor de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, disse acreditar que a idéia dará certo em Londrina com a ajuda de entidades parceiras. ''Depende mais de recursos humanos e técnicos do que financeiros. É mais um trabalho de corpo-a-corpo, panfletagem e demonstrações nas ruas. Esse projeto não vai morrer na praia'', declarou. Segundo ele, a CMTU deverá fazer ainda esse ano uma revitalização na pintura de faixas. O lançamento simbólico da campanha de conscientização está previsto para ocorrer logo após a Semana de Trânsito (de 18 a 25 de setembro), que este ano traz o lema ''No trânsito somos todos pedestres''.
Em tempo: Londrina tem pelo menos um local em que a maior parte dos motoristas pára para os pedestres passarem, sem a presença de um semáforo. É na Alameda Manoel Ribas, próximo à rotatória da Avenida Souza Naves com Rua Minas Gerais (Centro). O bom costume se desenvolveu por acaso. Pode ser um sinal.


