Nesta primeira fase o serviço é realizado em pontos de alagamento elencados pela Defesa Civil
Nesta primeira fase o serviço é realizado em pontos de alagamento elencados pela Defesa Civil | Foto: Ricardo Chicarelli

Conseguindo limpar uma média de apenas 30 bueiros mensalmente, a Prefeitura de Londrina espera aumentar esta quantidade de forma expressiva com a terceirização do serviço. O contrato com a empresa contratada, que venceu licitação lançada pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), foi assinado na semana passada, com os trabalhos sendo iniciados na sexta-feira (5). A Ar Construtora de Obras Ltda levou o certame por R$ 2,8 milhões. O valor máximo era de R$ 3,5 milhões. O vínculo tem duração de um ano.


Londrina conta com aproximadamente 80 mil bueiros e a cidade foi dividida em dois lotes para limpeza. O contrato prevê que sejam desobstruídas até 500 bocas de lobo em cada um dos lotes, totalizando mil mensais. “Será pago por serviço realizado e não pelos mil, já que a ordem de serviço abrange até este número”, esclareceu o presidente da CMTU, Marcelo Cortez. A limpeza e conservação destas estruturas eram de responsabilidade da secretaria de Obras, porém foram transferidas para a companhia por meio de decreto no início deste ano.


A CMTU recebeu em apenas dois meses cerca de 300 pedidos de moradores buscando a desobstrução de bueiros. O município não dispõe de um levantamento que aponte quantos estão entupidos atualmente. O serviço da empresa terceirizada será desenvolvida, nesta primeira fase, a partir de 24 pontos de alagamento elencados pela Defesa Civil e pelos acionamentos dos munícipes. Para Cortez, passar o serviço para a iniciativa privada irá otimizar a atividade e diminuir problemas ocasionados, principalmente, em dias de chuva.


“Temos algumas adversidades crônicas em Londrina, que a cada chuva têm se mostrado mais recorrentes. Cremos que com esse serviço e a quantidade que será feita possamos 'atacar' os pontos complicados e restabelecer que quando chover tenhamos, minimamente, o transcorrer normal do fluxo da água para que não haja dissabores em alguns locais”, destacou o presidente da CMTU. “A ideia é fazer limpeza que há muitos anos não acontecem ou são feitas de forma precária por questão de equipamentos da prefeitura”, completou.


A fiscalização da terceirizada vai ser feita por meio de monitoramento via GPS e cadastramento de cada bueiro limpo. “É para ter um controle maior. Têm bueiros que sabemos que dependem de limpeza de galeria, que é mais complicado, porém a empresa tem tecnologia para isso”, garantiu. Concomitante com a desobstrução as estruturas poderão ser recuperadas, como troca de grelha quebrada. Esta atividade está a cargo da secretaria de Obras.


RECLAMAÇÃO
Os trabalhos de limpeza dos bueiros começaram pelas ruas Quintino Bocaiúva e região do Ginásio de Esportes Moringão, lugares que registram alagamento quando chove. Quem espera que a ação chegue a outras localidades da cidade, e logo, é o comerciante Edson César Fonseca. Morador do jardim Messiânico, zona oeste, ele reclama de uma boca de lobo entupida bem em frente à sua casa, no cruzamento da rua Serra da Mantiqueira com Serra da Jureia.


A situação incômoda já dura anos, entretanto, piorou nos últimos meses. “Os dois bueiros da rua estão entupidos, só que um a água passa por cima e no outro fica parada. Os vizinhos lavam o carro, quintal e não tem para onde a água escorrer. Ainda tem a chuva. Antes conseguíamos escoar, mas agora não mais. Construíram casas nas proximidades e terra e resto de material de construção foram indo para o bueiro. Como sempre tem água parada dá medo em razão da dengue. Estamos todos preocupados. Ligamos várias vezes para a prefeitura e nada”, relatou.


A realidade não é muito diferente do que vive Antonio Araújo Inácio. O engenheiro elétrico diz que a calçada “some” em dias de chuva no cruzamento das ruas Cambuquira com Bauru, no jardim Coroados, também na zona oeste. “Esse bueiro é um desaforo, porque é chover e não conseguimos mais utilizar a calçada para andar”, lamentou. “Temos uma praça em frente e podaram as árvores há vários meses, porém não recolheram os galhos. As folhas estão indo tudo para o bueiro”, declarou. Outra dificuldade no bairro é um terreno particular com mato alto na rua Araçatuba com Sorocaba, em que até a calçada está tomada pelo matagal.


VERIFICAÇÃO
O projeto da CMTU é que as solicitações, hoje restritas ao telefone, possam ser geradas também em aplicativo. A ferramenta vem sendo elaborada pela Sercomtel e UEL (Universidade Estadual de Londrina) e a promessa é que será lançada em breve. “Quando tem reclamação os ficais vão até o local e verificam se de fato precisa de limpeza”, explicou Marcelo Cortez. O serviço de desobstrução de bueiros vai ser executado com quatro caminhões, sendo dois limpa bueiros e dois pipas.


SERVIÇO - Quem quiser solicitar limpeza de bueiro deve entrar em contato com a diretoria de Operações da CMTU pelo fone (43) 3379-7900.

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