CMTU promete lacrar lojas no Terminal Urbano
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terça-feira, 09 de março de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Se os comerciantes do Terminal Urbano de Transporte Coletivo de Londrina não desocuparem os 10 boxes até às 18 horas de hoje, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) pretende lacrar as lojas para que as reformas previstas no local comecem a ser feitas amanhã. Ontem, porém, não havia nenhum sinal de que os lojistas estavam se preparando para a mudança. Todos os boxes funcionavam normalmente. Segundo o gerente de uma lanchonete que funciona no piso térreo, Paulo Roberto Bueno, o proprietário do estabelecimento avisou que eles só sairiam sob ordem judicial.
O projeto de reforma prevê a construção de quatro escadas rolantes e um elevador com capacidade para oito pessoas, que vai atender portadores de necessidades especiais, e que serão instaladas na área onde hoje estão os boxes. A obra está orçada em R$ 1,1 milhão, dinheiro já previsto na licitação, que teve como vencedoras as empresas Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e Francovig.
Um dos funcionários da casa lotérica que funciona no local, Antônio Roberto de Arruda Bena, disse que a única certeza dada pelo patrão é que, após o fechamento do estabelecimento, os vínculos empregatícios terminariam. Ele também contou que não recebeu nenhuma ordem para iniciar a mudança. Bena, que tem 45 anos e trabalha com a esposa no local, disse que ficará sem renda para sustentar os dois filhos. ''Esse terminal está sucateado para ter um investimento desse. Acredito que se poderia usar esse dinheiro em assistência social'', opinou. Segundo ele, com a retirada dos boxes mais de 40 pessoas podem ficar sem trabalho.
De acordo com assessor técnico em transporte da CMTU, Marco Antonio Bacarin, as reformas têm um prazo de seis meses para serem concluídas. ''Se os comerciantes não saírem até amanhã (hoje), os agentes da CMTU deverão lacrar os estabelecimentos'', garantiu. A colocação de tapumes impedindo a circulação para os boxes também está prevista se os comerciantes se recusarem a sair. Ele ressaltou que o tempo dado aos lojistas foi suficiente para que procurassem outro local. ''Nós avisamos que havia vagas no Mercado Municipal Kennedy e Mercado Municipal Guanabara, mas parece que ninguém se interessou'', disse.
Segundo Bacarin, a retirada dos boxes não gera direito à indenização já que a concessão de uso foi feita mediante emissão de permissão a título precário, o que dá à prefeitura o direito de retomá-la a qualquer momento, sem ônus.


