O lixo gerado pela feira livre da Avenida Saul Elkind (Zona Norte) continua sem solução. De um lado os feirantes alegam que já recolhem os seus resíduos e reclamam da falta de fiscalização em barracas não cadastradas; do outro, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) promete mais rigor e uma intensificação no trabalho, principalmente, de conscientização dos comerciantes. ''Em dezembro começamos o trabalho, em janeiro estamos fazendo a organização e, em fevereiro, vem a fiscalização'', salienta Fábio Reali, diretor de operações da CMTU.
Segundo ele, será realizada uma reunião com os feirantes esta semana para discutir novamente o problema do lixo. Durante o encontro deverá ser determinado um horário de término da feira, as formas de limpeza e um recadastramento. Atualmente, as barracas encerram suas atividades em horários diferentes, o que dificulta a varrição da rua e a coleta. ''A responsabilidade do lixo é de quem gera e os feirantes têm que trazer o saco de lixo de casa'', salienta. Reali acrescenta que os sacos de lixo poderão ser distribuídos novamente na feira, mas apenas dentro de uma campanha de conscientização dos comerciantes.
''Se distribuírmos sacos de lixo somente na Zona Norte estaremos oferecendo um tratamento desigual aos outros feirantes. O que iremos fazer é intensificar as fiscalizações'', comenta o diretor da CMTU. Segundo ele, a multa para feirantes e comerciantes que não recolherem seus resíduos pode chegar a R$ 1,5 mil e até dobrar em caso de reincidência. ''O foco do nosso trabalho será a conscientização; multa só mesmo em último caso'', disse. Na Saul Elkind a CMTU recolhe cerca de oito toneladas de lixo aos domingos, gerados pelos feirantes e pelo comércio local.
Resolvido - Para Márcio José de Godoi, presidente da Associação Recreativa e Administrativa dos Feirantes de Londrina, o problema do lixo na feira está resolvido. ''Eu fico até o final da feira e a maioria recolhe. Se alguém não recolheu, eu cobro e a pessoa não deixa mais'', observa. Segundo ele, os fiscais da CMTU foram até a feira apenas uma vez para distribuir os sacos. ''A fiscalização deveria ter, com certeza, mas também acho que a CMTU deveria distribuir os sacos para incentivar o pessoal a limpar'', comenta.
Godoi acrescenta que a sujeira maior é provocada pelos vendedores da feira de ''produtos do Paraguai'', que é realizada juntamente com a feira livre. Estes vendedores, inclusive, estariam funcionamento sem alvará ou cadastro da CMTU. O feirante Laureano de Souza Pereira confirma. ''O pessoal de lá (da feira de importados) jogo o lixo no chão e não tem nenhuma fiscalização'', diz.
Ele comenta que guarda resíduos de verduras e legumes em uma caixa plástica durante a feira e, ao final, leva de volta para casa. ''Tem feirante que deixa o lixo no chão mesmo e as pessoas também jogam'', afirma. Na sua avaliação, seria melhor que a CMTU distribuísse os sacos, até para poder cobrar a limpeza. Daverson Cristian Batista da Silva trabalha em uma barraca de salgados e conta que ao final da feira, o lixo é recolhido e deixado em sacos no canteiro.
A empregada doméstica Antônia Modesto Gabriel confirma que há lixo ao término da feira. Segundo ela, é possível verificar no local restos de verduras, frutas, legumes e papel. ''Todo dia fica sujo. Acho que a Prefeitura deveria limpar ou os próprios feirantes. Alguém tem que fazer isso porque fica feio e o lixo acaba se espalhando'', diz. A auxiliar administrativo Neli Bueno lembra que há a varrição, mas acredita que o lixo deveria ser juntado pelos feirantes. ''Eles deveriam ter mais cuidado porque fica esparramado'', afirma.

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