CMTU promete cassar licença de 310 mototaxistas
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, afirmou que a prefeitura irá cassar a licença de 310 mototaxistas de Londrina. Ontem venceu o prazo para que 327 profissionais da área com documentação pendente entregassem à CMTU os documentos necessários para continuarem trabalhando. Segundo Grotti, apenas 17 procuraram a prefeitura desde o início do mês.
''Já demos vários prazos para a regularização e não houve interesse'', disse Grotti. O diretor informou que hoje à tarde será realizada uma reunião com representantes da Associação de Mototaxistas de Londrina e Norte do Paraná para informar a situação. Em seguida, as cassações começarão a ser expedidas. As pendências vão desde a ausência de vinculação a central até não-comparecimento à vistoria obrigatória.
''Acredito que a maioria destes mototaxistas que terão a licença cassada não está mais na profissão, por isso não tiveram interesse em se regularizar. Muita gente desistiu de trabalhar na área porque as dificuldades são muitas'', afirmou Grotti. O diretor comentou que no último ano a clientela dos mototaxistas diminuiu bastante.
''A população ficou com o pé atrás por vários motivos: existe a questão do preço, porque apesar de existir tabela muitos motoqueiros não a seguem, a má imagem que se formou após a prisão de alguns poucos mototaxistas envolvidos com o tráfico, além de muitos profissionais não oferecerem seguro aos clientes'', afirmou. Contando-se os mototaxistas que terão suas licenças cassadas, atualmente 877 profissionais da área estão registrados na prefeitura. Grotti argumentou que a baixa no movimento também fez com que diminuísse o número de motoqueiros clandestinos circulando pela cidade.
De acordo com o diretor, a CMTU planeja realizar um trabalho específico nas centrais de mototáxi, já que algumas são suspeitas de irregularidades. ''Certas centrais aceitam motoqueiros não cadastrados, ou sem seguro, ou com placa branca. Algumas não mandam à CMTU a lista real dos mototaxistas a elas vinculados, e também não informam à prefeitura quando um motoqueiro se muda para outra central. Essa conivência compromete a credibilidade do serviço. A idéia é alterar o regulamento da profissão de mototaxista, para que os donos de centrais também sofram penalidades'', disse Grotti.
A presidente da Associação de Mototaxistas, Edimara Adolfo de Oliveira, confirmou que a profissão perdeu clientela, mas alegou outros motivos para o fato. ''Sofremos com a concorrência desleal dos mototaxistas clandestinos e com os poucos ganhos. Há realmente um clima de desmotivação, muita gente está desistindo'', afirmou ela, que se disse ''favorável'' ao trabalho específico nas centrais, mas não concordou com a declaração de Grotti de que o número de mototaxistas clandestinos diminuiu. ''Eles continuam por toda parte. Queremos uma fiscalização mais eficaz''.


