Londrina – A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) deve instalar até o fim deste ano dois novos pontos de entrega voluntária (PEV) de entulho. Os espaços serão montados nos jardins Primavera, na zona norte, e Santa Rita, na zona oeste. Hoje, o único PEV em funcionamento fica no Jardim Nova Conquista, na zona leste.
Segundo o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), José Carlos Bruno de Oliveira, um dos maiores entraves para a criação de novos PEVs é a falta de recursos para construir a nova infraestrutura e para manutenção. "Estamos buscando recursos para que esses dois PEVs sejam implantados o mais rápido possível. Com certeza vou fazer isso até o fim deste ano, mas é difícil prever uma data quando não se tem recursos", declarou o presidente.
Bruno destacou que ainda precisa planejar quais os insumos necessários para isso. "Não sei quantos PEVs serão necessários para a cidade. Vamos implantar a quantidade que for necessária. Se três forem suficientes, implantaremos isso. Se forem cinco, implantaremos cinco. Mas precisamos não só da disponibilidade de terreno. O orçamento deve prever também a manutenção do sistema, que é tão ou mais cara que a implantação deles", apontou. Ele já cogita buscar buscar parceiros fora da área pública para viabilizar os novos PEVs. "Eu acredito que nós podemos e devemos abrir a administração dos PEVs para a iniciativa privada. Isso não é responsabilidade única do Estado", afirmou.
Sem mais estruturas organizadas na cidade, os pontos de despejo irregular de lixo e entulho se multiplicam pela cidade. A própria CMTU estima que existam hoje mais de 300 locais de descarte indevido. A área do Jardim Primavera já vem sendo utilizada como ecoponto, mas o material descartado por lá não é separado adequadamente e há materiais que não poderiam ser despejados ali, como telhas de amianto. Segundo a CMTU, a área possui licenciamento ambiental para funcionar como PEV e receberá um trabalho de limpeza e adequação para que receba uma estrutura semelhante à implantada no Jardim Nova Conquista, que foi o primeiro PEV implantado no município, em janeiro.
Haverá, no entanto, algumas adequações, como a presença de dois funcionários em vez de apenas um para fiscalizar o despejo correto de entulhos. A companhia também cogita que todos os dados dos usuários do PEV sejam registrados em um sistema informatizado e o uso de câmeras de monitoramento nesses espaços. Essas medidas, porém, ainda estão em fase de estudos.
Embora a data de entrega do novo PEV ainda esteja indefinida, a expectativa é de que o novo espaço logo estará habilitado a receber resíduos verdes, móveis de madeira, recicláveis, restos de construção e pequenas reformas, restos de concreto e de piso, tijolos, barro e telhas (exceto de amianto), além de sofás, pedras e areia, por exemplo.
Para quem reside nas imediações, a notícia gerou um certo alívio, já que rotineiramente os moradores do bairro precisam conviver com a fumaça, uma vez que é comum que seja colocado fogo no material descartado no local. O calheiro Joel Rodrigues de Almeida, de 50 anos, relata que não é possível estender as roupas no varal quando as pessoas ateiam fogo nos galhos secos com o objetivo de diminuir o volume de material no local. "A roupa fica toda com cheiro de queimado. Um vizinho meu se mudou porque não suportava mais o cheiro e também porque despejavam o entulho frequentemente em frente à casa dele", relatou Almeida. Isso sem contar a presença de inúmeros insetos que se abrigam nos resíduos.
Atualmente o local está muito longe de ter características de um PEV. O espaço na Rua Francisco Merlos, no Jardim Primavera, não é cercado, não conta com funcionários para orientar e cadastrar as pessoas que realizam o descarte e não há a segregação adequada conforme o tipo de material. Não é raro que os caminhões e camionetes despejem o entulho em qualquer lugar, inclusive na rua que dá acesso ao espaço. O pedreiro José Honorato de Paulo, de 57 anos, relatou que sempre vai ao local para tentar coletar material em boas condições para utilizá-los em outras obras, mas se espanta com a "incivilidade" dos motoristas que despejam o material. "As pessoas não descartam corretamente o material e entopem as ruas com entulho. O que custa descarregar corretamente?", questionou.
Outro local que poderá receber um PEV é o Jardim Santa Rita (zona oeste), mas ainda não foi definido o novo endereço.

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