Os pontos de encontro mais tradicionais da Região Central de Londrina estão, literalmente, com os dias contados desde ontem, quando a prefeitura notificou todos os 42 permissionários de boxes que deverão encerrar as atividades. Os comerciantes, que receberam o prazo de cinco dias para apresentarem suas defesas, só poderão reabrir suas bancas, lojas de suco, cafeterias, lanchonetes e floricultura se participarem, e vencerem, o processo de licitação que ainda nem tem data para ser lançado.
A retirada dos boxes é condição para dar continuidade à reforma e revitalização do Calçadão. O principal eixo comercial do Centro da cidade está em obras em seu primeiro quarteirão. À medida que as obras avançarem, os quiosques atuais serão removidos para darem lugar, no futuro, a novas estruturas padronizadas e em consonância com exigências sanitárias e dos bombeiros.
Com isso, o tradicional cafezinho do Calçadão, a banca de revistas que em tempos de Internet garante leitura a clientes cativos, o suco de frutas e da cana que há décadas refresca a garganta de quem transita pelo centro correm o risco de desaparecer do mapa. Isso porque os permissionários de hoje terão que participar, em igualdade de condições, do processo licitatório que irá permitir a exploração das atividades por um período de cinco anos. Ontem, os comerciantes estiveram na Câmara de Vereadores, voltam para lá hoje com um advogado e amanhã de manhã pretendem se reunir com representantes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Alguns permissionários contam com liminares judiciais que garantem sua permanência.
O caldo de cana servido por dona Neusa de Souza, 60, está em frente aos Correios desde 1953 e já matou a sede de muita gente. O ponto era explorado pelo sogro e passou para o marido, Ulisses de Souza, 68, que trabalha no negócio da família desde os 11 anos. ''Foi com isso que eu criei meus filhos e acho uma falta de respeito o que estão fazendo com a gente'', reclamou Neusa.
O jornaleiro José Tito de Souza, 60, exerce a atividade há 36 anos na Concha Acústica é está indignado com a condução do processo de retirada. ''O prazo de apenas cinco dias é uma coisa muita bruta. Quem já está no ponto deveria ter alguma garantia'', reclamou.
O quiosque de suco da família Guilhen foi aberto em 1969 nas proximidades da Catedral Metropolitana e, de tão conhecido, parece fazer parte da paisagem ao lado do Bosque. ''Acho que não poderiam fazer isso de uma hora para outra porque temos firma constituída, funcionários e nós, patrão, que também dependemos disso'', citou Vera Guilhen, 55.
O diretor administrativo-financeiro da CMTU, André Nadai, arguiu que a permissão de uso foi dada em um decreto de 1977, valia por cinco anos e, depois disso, poderia ser cassada a qualquer tempo. Ele afirmou que a decisão da remoção é para adequar os quiosques à legislação e ao novo projeto arquitetônico do Calçadão.
Nadai explicou que os permissionários têm cinco dias para apresentarem suas defesas. O prazo de saída, no entanto, irá seguir o andamento das obras do Calçadão. Ele garantiu que cada caso será analisado individualmente mas lembrou que muitos estão em situação irregular porque compraram o ponto - o que é proibido -, por não terem condições sanitárias ou por estarem em dívida com o Município. O diretor adiantou que ninguém terá privilégios no processo de licitação que deverá ser aberto ainda este ano: ''a concorrência é pública e com direitos iguais para todos que concorrerem.''

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