Os condutores apressados de Londrina estão na mira da Companhia Municipal de Trânsito (CMTU). Além do anúncio sobre a instalação de radares e videovigias em 18 pontos da cidade, a CMTU está desenvolvendo bases fixas para os equipamentos móveis. A ideia é criar um rodízio de radares em mais áreas, a fim de coibir as o excesso de velocidade. De janeiro a agosto deste ano, foram registradas 14.187 multas por este tipo de infração – o equivalente a pelo menos duas por hora. Em todo ano de 2014, foram 30.453 autuações.
De acordo com o diretor de Trânsito da CMTU, Hemerson Pacheco, as bases devem ter cor de destaque, ser instaladas em locais de fácil visualização e abrigar os radares. "Serão como caixinhas distribuídas em vários pontos da cidade", comenta. As estruturas já estão sendo fabricadas. Um teste deve ser feito ainda neste mês. Quem passar do lado de fora, avistará a caixinha, mas não saberá se o ponto tem ou não radar naquele momento. "A partir deste piloto, faremos o monitoramento da redução de velocidade e de acidentes nestes pontos. Se o resultado for satisfatório, instalamos as demais caixinhas", explica Pacheco.
Ele observa que o excesso de velocidade ocupa hoje o terceiro lugar em infrações no trânsito de Londrina. Fica atrás da falta de cinto de segurança e do uso do celular ao volante.
Ainda na esfera dos radares, uma licitação deve ser lançada nos próximos dias pela CMTU para a aquisição de equipamentos fixos para 18 locais. O documento que norteia a concorrência segue sob análise do Observatório Social, para avaliação técnica. Por enquanto, a CMTU não informa qual o valor do teto da licitação nem quais os pontos vão receber os radares. O diretor de Trânsito, contudo, cita que vias como as avenidas Dez de Dezembro, Duque de Caxias e Tiradentes podem receber os equipamentos. A instalação deve ficar para o fim do ano. Em alguns casos, os equipamentos poderão ter a função de radar e videovigia.
"Esperamos ter uma fiscalização mais transparente. Precisamos do apoio da tecnologia para tirar o embate entre os agentes e condutores. Com o radar, temos a prova da infração, não tem como questionar", afirma Pacheco.
Especialista em trânsito, o major Sérgio Dalben analisa que as avenidas Leste-Oeste, Winston Churchill, Dez de Dezembro, Arthur Thomas, Madre Leônia, Higienópolis, Henrique Mansano e a Rodovia Carlos João Strass, na região dos Cinco Conjuntos, demandam equipamentos deste tipo. Ele salienta, contudo, que vias não tão conhecidas, distantes do centro da cidade, também precisam de mais fiscalização no trânsito. É o caso da região do conjunto Santa Rita. "Há locais que ligam dois ou três bairros, em que a rua é reta e tem grande movimento. São áreas perigosas, há pedestres circulando e as pessoas se esquecem disso", assinala.
É em áreas de bairro, observa, que podem ser encontradas rotinas de mau comportamento no trânsito que vão além do excesso de velocidade. "Fura-se os sinais vermelhos, estaciona-se em locais inadequados", enumera o major. "Imagine uma tonelada a 60 km por hora numa via que tem velocidade máxima de 30 km por hora. Vai dar problema. Todo cruzamento é uma caixa de surpresas, as pessoas podem encontrar desde um gatinho a um ônibus", pontua.
Dalben defende ainda que, além da fiscalização, os órgãos públicos invistam em em educação no trânsito. "Se tivéssemos conscientização, 80% dos acidentes acabariam. O mesmo código de trânsito que aponta as obrigações do motorista também obriga os dirigentes da área a terem campanhas de trânsito diariamente", diz.
A CMTU trabalha hoje com apenas quatro radares móveis. Os equipamentos são trocados de local pelos agentes de trânsito a cada 30 minutos.

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