Os hippies voltaram a comercializar seu artesanato no Calçadão de Londrina (Área Central), dessa vez com o aval da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Há duas semanas, pelo menos cinco artesãos estão instalados em frente ao Cine-Teatro Ouro Verde. Em panos estendidos no chão, eles expõem bijuterias, cintos e placas de madeira, entre outros ítens, todos de produção própria.
Até alguns meses atrás, a permanência dos hippies nesse mesmo local foi motivo de briga entre o grupo e a CMTU. Expulsos da Praça Marechal Floriano Peixoto, onde a prefeitura iniciou uma reforma em novembro de 2003, os artesãos resolveram ocupar um espaço entre a Avenida Rio de Janeiro e a Rua Minas Gerais, a poucos metros do primeiro.
Em fevereiro, o então presidente da CMTU, Wilson Sella, bateu o pé e afirmou que ''rua não era lugar de comércio'', dando um prazo para que os hippies indicassem um imóvel onde pudessem ser instalados. Não houve acordo e o impasse acabou em confusão, com apreensão de produtos, protesto de artesãos e até interferência policial. A solução encontrada pelos hippies foi se mudar para o entorno de um prédio desocupado, na esquina das ruas Maranhão e Minas Gerais. Como se tratava de propriedade particular, o Município não pôde proibir.
Agora, eles estão de volta ao Calçadão por solicitação da própria CMTU. ''Fomos procurados pelo Carlos Xavier (assessor de Relações Comunitárias da CMTU), que ofereceu esse espaço para ficarmos. Para nós é melhor, porque não nos interessava mudar para um imóvel fechado. Mas a gente se sente meio no escuro, porque não sabe o que eles podem decidir amanhã'', comentou o artesão Paulo César Pereira, 31 anos. Segundo ele, o grupo já teve em torno de 10 hippies, mas hoje não passa de sete. ''Alguns foram para outras cidades, mas estão voltando'', completou.
Segundo os artesãos, é normal que as vendas se alternem em dias bons e ruins, mas eles esperam que o movimento aumente quando as pessoas tomarem conhecimento de que estão de volta. ''Na rua ou no Calçadão, não tem muita diferença, mas a praça sempre foi mais legal. Lá é o lugar do artista, do turista, do fotógrafo'', disse o artesão Valério Ferreira dos Santos, 35.
Os hippies acreditam que a decisão de permitir a permanência do grupo no Calçadão possa estar relacionada à proximidade das eleições, e temem ser retirados novamente. Alguns afirmam que não desistiram de retornar à Praça Marechal Floriano Peixoto, cuja reforma está prevista para ser entregue até o final deste mês. ''Também queremos ela limpinha, bonita. Quando estiver pronta, vamos querer voltar'', disse Marcelo Cuartero, 28.
Carlos Xavier confirmou que a CMTU permitiu o retorno dos hippies ao Calçadão, em caráter ''provisório''. ''No local anterior, para onde eles foram por conta própria, estávamos tendo problemas com o espaço para pedestres, o acesso ao shopping (Royal Plaza), e reclamações do proprietário do imóvel. Por enquanto eles ficam no Calçadão, mas não há qualquer chance de voltarem à praça'', sentenciou.
O assessor afirmou que a decisão ''não tem nada a ver com as eleições''. Ainda de acordo com Xavier, as discussões sobre a transferência dos hippies para um imóvel não prosperaram. ''Ainda não há outro destino definido''.

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