Londrina - O número de mortes no trânsito no município está atingindo o índice de homicídios dolosos. A informação foi repassada pelo promotor de Defesa da Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares, durante a cerimônia de lançamento da Semana do Trânsito, na tarde de ontem, no Calçadão. Tavares destacou que em 2014 foram registrados, até agora, 72 assassinatos e 68 mortes no trânsito. "É um absurdo. Nós temos que reverter isso. O poder público é o principal encarregado nesse desafio. Não é possível que Londrina tenha mais despesas relacionadas a acidentes de trânsito que Curitiba, que tem uma frota quatro vezes maior de veículos", ressaltou.
Tavares destacou que o Ministério Público irá discutir propostas de aperfeiçoamento dos mecanismos de controle no trânsito. "Há mais de um ano congregamos a sociedade civil organizada e o próprio poder público. Estive com o prefeito há dez dias e mencionamos a falta de agentes e recebemos uma promessa de contratações", apontou. O promotor destacou que Londrina precisa investir em fiscalização assim como Curitiba investiu pesadamente em radares, videovigilância e lombadas eletrônicas. Ele ressaltou que o MP possui uma promotoria de inquéritos policiais, a qual oferece as denúncias criminais do trânsito e já formalizou 400 denúncias no total desde 2013.

EDUCAÇÃO
A coordenadora de educação de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Danielle Pizaia, relatou que a redução de acidentes tem que partir com a educação infantil, desde as séries iniciais. "As autoescolas também precisam procurar os órgãos de trânsito de sua cidade. Nós estamos à disposição para dar dicas de segurança." Ela destacou, por exemplo, que as pessoas geralmente não utilizam o cinto de segurança. "Apenas 88% das pessoas usam o cinto de segurança no banco dianteiro e um número muito menor, 11%, usam o cinto no banco traseiro."
Para demonstrar o perigo, a CMTU realizou ontem uma demonstração com crianças em um simulador de impacto. "A velocidade é bem menor, cerca de 20 km/h, mas já dá para ter uma ideia do impacto, mas uma pessoa de 70 quilos pode sofrer um impacto de uma tonelada sem o cinto de segurança", reforçou.
Uma das voluntárias que experimentou o simulador foi Carla Cristina da Silva, de 11 anos, aluna da Escola Municipal Atanázio Leonel, do Jardim São Jorge (zona norte). "Se eu não estivesse com o cinto teria caído", constatou. Ela afirmou que não tinha o costume de utilizar o cinto de segurança no banco de trás, mas que mudará esse hábito a partir de agora.
Mais radical que sua colega, a aluna Renata Jacinto Scandal, 9, contou que radicalizou com o pai, quando ele falava ao celular dirigindo. "Eu pegava o celular dele e jogava pela janela. Ele ficava muito bravo, mas não fazia nada comigo porque sabia que estava errado", afirmou. Ainda ontem, Renata foi a vencedora de um jogo sobre regras de trânsito, semelhante aos de tabuleiro, mas em tamanho gigante, que trazia mensagens educativas, como "O sinal está vermelho. Fique uma rodada sem jogar".

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