O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, já admite que a transferência dos camelôs das avenidas São Paulo e Leste-Oeste para o novo 'camelódromo', na esquina das ruas Sergipe e Mato Grosso, pode acontecer apenas no final de dezembro. Segundo ele, a prefeitura deve se sentar com os camelôs a partir do dia 20 de novembro, quando está prevista a conclusão das obras no novo espaço, para estipular uma data limite para a mudança dos comerciantes.
''Vamos discutir para ver se a transferência será realizada mesmo já este mês. Nossa parte é entregar o prédio. Depois disso, passo a bola para eles (camelôs). A partir do dia 20, entregaremos os alvarás para os comerciantes e poderemos discutir uma data'', afirma Sella. Na semana passada, o presidente da CMTU explicou que a intenção da prefeitura é inaugurar o novo 'camelódromo' no dia 10 de dezembro, aniversário de Londrina, data que é contestada pelos camelôs. Na mesma data, os comerciantes declararam que pretendiam se transferir apenas após o Natal, já que temiam a perda do movimento do final de ano.
Em reunião realizada ontem pela manhã, Sella e os camelôs discutiram sobre as mudanças de posição de alguns boxes em relação ao projeto original, além da modificação de alguns corredores. ''Algumas barracas tinham pilares de 50 centímetros dentro delas. Além disso, alguns corredores eram muito estreitos, era difícil de imaginar que algum freguês ia andar dentro deles'', explica o presidente da Associação dos Camelôs da São Paulo, Rogério Gonsales. Também na semana passada, os comerciantes declararam que não pretendiam se mudar para o novo camelódromo se estas adequações não fossem feitas.
''Depois das obras estarem prontas, vamos dar um prazo aos camelôs para acertarem os boxes, montarem prateleiras, tudo. Mas, concretamente, não há data para estar tudo pronto. Se você for ao novo camelódromo, vai ver que as obras não estão com cara que vão ser concluídas até o dia 20, como anunciou a CMTU'', diz Gonsales. Wilson Sella diz que o encontro de ontem faz parte de uma série de reuniões ''quase diárias'' que a prefeitura tem mantido com os camelôs, e garante que o prazo para conclusão das obras será respeitado.
''Continuamos preferindo que a transferência seja feita no final de dezembro. Neste final de ano, os comerciantes precisam vender muito para capitalizar, não podem ficar gastando na readequação de barracas. O dinheiro das vendas de Natal será gasto nas mudanças para o novo camelódromo'', afirma Gonsales. Mas Sella avisa: ''Não admitiremos camelô na rua quando for determinada a data limite de mudança''.

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