CMTU inicia emplacamento de carroças
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quarta-feira, 09 de outubro de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Depois de protagonizar diversos episódios em prol da manutenção da profissão e discutir propostas para regulamentação, os carroceiros de Londrina passam agora a contar com um gerenciamento territorial da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Ontem de manhã, a Companhia deu início ao processo de emplacamento das carroças. A ação acontecerá uma vez por semana em cada região, por tempo indeterminado. Ontem, no primeiro dia, agentes da CMTU, Vigilância Ambiental e Secretaria do Municipal do Ambiente (Sema) passaram a manhã na zona oeste, ao lado da linha de trem. As próximas ações devem acontecer nos jardins Nova Conquista (zona leste) e Primavera (zona norte).
"O emplacamento e o cadastro estão previstos no Código de Posturas do município por uma lei recente, de dezembro de 2011. Existe uma expectativa de emplacar 300 carroças. Ainda não temos uma data definida para terminar esse trabalho, mas paralelamente, todas as carroças que localizarmos nas ruas serão abordadas para verificação da situação de cadastro", afirmou o diretor de Operações da CMTU, Gilmar Domingues. Há duas semanas, a Companhia já cadastrou 110 carroceiros.
Domingues explica que o cadastro é feito com informações pessoais e de nível social, como quantidade de filhos e frequência escolar. "Os dados serão repassados para a Secretaria de Assistência Social para que haja um acompanhamento nesse sentido também", completou.
As placas nas carroças têm cores diferenciadas para cada região: verdes para a zona oeste, amarela para a leste, azul para a sul e vermelha para a norte. Além disso, a identificação também é feita por algarismos, que definem a região e as dezenas que representam cada carroceiro. A medida vai fazer com que os trabalhadores atuem nas regiões de origem e evitar que os animais percorram distâncias grandes demais.
"É uma importante parceria com os carroceiros que aceitaram o gerenciamento dos resíduos e portanto, facilitarão e organizarão a coleta e destinação final", comentou Domingues, ressaltando que os carroceiros devem transportar, basicamente, resíduos da construção civil, resíduos verdes e podas de jardins, com a carga compatível com a capacidade de transporte do animal. A CMTU também pretende abolir o uso de chicote pelos carroceiros. "É um cumprimento do que também está prescrito no Código de Posturas do município. Vamos agir com rigor quanto a isso", disse.
Cuidados
Para avaliar se os cavalos apresentam sinais de maus tratos, agentes da Sema participaram do processo de emplacamento, assim como o promotor de Saúde Pública da Vigilância Ambiental, Valmor Venturini, que verificou o estado nutricional e sanitário de cada animal. "Ele deve estar em boas condições de saúde, com acesso ao alimento, pasto, água e medicamentos para controle de parasitas externos e internos. Dos cinco animais avaliados até agora, todos estão bem. Apenas um não estava devidamente ferrado, mas o proprietário já foi notificado", afirmou Venturini, revelando que nesse tipo de atividade os fatores mais prejudiciais aos animais são o excesso de carga e a falta de descanso a cada três horas. "Os donos precisam se atentar aos cuidados. Diante de um acidente ou qualquer outro problema com animal, a orientação é para que eles busquem atendimento no Hospital Veterinário", indicou.
Quem está muito bem orientado é Gabriel Arcanjo Rodrigues, de 68 anos. Ele comenta que já levou seu "companheiro" de trabalho, Pingo, ao Hospital Veterinário para realizar todos os exames necessários. "Cuido melhor dele do que de minha própria família. Dou banho duas vezes por semana, faço questão de eu mesmo tosar e construí uma baia no fundo do meu quintal, onde troco o pó de serra semanalmente", garantiu.
A resposta para tamanha dedicação, Rodrigues tem na ponta da língua. "Graças a ele eu pago minhas contas e pude criar meus cinco filhos. Na verdade, é ele quem trata de mim. Eu só faço minha parte", contou, com entusiasmo.
Carroceiro há 30 anos, Rodrigues estava todo feliz com a carroça emplacada. Ele comenta que é um reconhecimento ao trabalho dos carroceiros e uma forma de identificar quem não está fazendo o serviço correto. "Nós que ganhamos a vida com isso, não jogamos lixo na rua. Eu pelo menos, não tenho coragem", afirmou.
Orlando Soares dos Santos, de 64 anos, também vê a medida com otimismo. "A gente vê muitas pessoas jogando lixo nas ruas e terrenos baldios, mas é sempre os carroceiros que pagam o pato. Agora vai ser mais fácil identificar quem está errado, mas vai ser preciso aumentar a fiscalização também", reforçou Santos, carroceiro há 40 anos.
Segundo ele, é possível fazer de três a quatro "carretos" por dia, cobrando R$ 25 cada. "Mais que isso não dá. A Boneca é de carne e osso que nem eu. Tenho que mantê-la com saúde porque meu ganha pão depende dela", afirmou, se referindo à égua.
Para Giuliano Custódio de Oliveira, presidente da Associação de Carroceiros de Londrina, o cadastro e emplacamento é a maneira mais eficaz de identificar os profissionais que cumprem o trabalho corretamente. Criada há um ano, a associação conta hoje com 120 membros. "Esperamos também que, com essa parceria, os animais passem a ser avaliados a cada 60 dias por veterinários", declarou.
Serviço:
Mais informações na CMTU pelo fone (43) 3379-7900. O Hospital Veterinário da UEL atende pelo (43) 3371-4269


