CMTU incentiva uso de ônibus adaptado
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Há cerca de um ano, quando resolveu utilizar pela primeira vez um ônibus adaptado para pessoas com deficiência física, Elizete Rodrigues do Prado, 43 anos, nem dormiu à noite, de tanto medo que a cadeira de rodas escorregasse ou, por qualquer motivo, ela não conseguisse embarcar. Mas sua primeira viagem de coletivo foi tranquila e ela se tornou uma usuária constante deste tipo de transporte. Atualmente procura incentivar outras pessoas na mesma condição a se locomover de ônibus, em vez de depender das vans de transporte especial.
Ontem ela participou de encontro promovido pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para apresentar aos usuários das vans o transporte coletivo adaptado. A idéia é que mais gente utilize os 150 ônibus dotados de elevadores existentes em Londrina, liberando vagas nas vans. Hoje a lista de espera para o sistema especial chega a 200 pessoas. Segundo o diretor de Transporte da CMTU, Wilson de Jesus, as vans são utilizadas por 197 pessoas para atendimentos na área médica e para estudar.
''Com a utilização do transporte coletivo adaptado as pessoas podem sair de casa também para se divertir, para visitar familiares e amigos'', argumentou Jesus. De acordo com o diretor, do ano passado para cá Londrina aumentou de 12 para 150 o número de ônibus adaptados. Os últimos três foram adquiridos pela Francovig e chegaram ontem à cidade. ''Este número representa 43% do total da frota'', lembrou. Jesus admite que em alguns casos o uso dos ônibus não é possível, mas muitos poderiam deixar o sistema especial.
Os participantes do encontro de ontem fizeram uma sessão de alongamento, ouviram depoimentos de pessoas que passaram a utilizar os ônibus e, por fim, conheceram como funciona o sistema. ''Claro que ainda existem dificuldades, como as calçadas que não possuem rampas, mas o maior problema ainda é o preconceito, por isso é importante que as pessoas com deficiência estejam em constante contato com a população'', lembrou o diretor da CMTU.
Para Elizete, o preconceito não está só na população em geral, mas no próprio deficiente, que tem uma tendência a só querer andar com pessoas iguais a ele. ''Muitos se esquecem que todo ser humano é único, por isso não dá para querer ser igual a ninguém. Enquanto a gente ficar se achando coitadinho, todos vão continuar nos tratando como coitadinhos.'' Elizete foi vítima de poliomielite, e antes de começar a andar sozinha de ônibus dependia de taxi ou da boa-vontade de parentes. ''Moro na Zona Norte e às vezes pego oito ônibus em um só dia. Chego em casa quebrada, mas faço tudo o que tenho que fazer'', contou.


