CMTU fecha quiosque da Rocha Pombo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
A revitalização da Praça Rocha Pombo, na Região Central de Londrina, está a todo vapor e ontem o primeiro dos quatro ambulantes que utilizam um espaço pertencente à praça, na esquina da Avenida São Paulo com a Rua Sergipe, foi autuado pela Companhia de Trânsito e Urbanização (CMTU). Por volta das 9 horas, a loja de bolsas do comerciante Antonio Martinez foi fechada por fiscais da Prefeitura, que retiraram todas as mercadorias e desmontaram as prateleiras do estabelecimento às vistas do proprietário.
Martinez contou que utilizava o ponto há 15 anos e que desde que conseguiu a concessão do Município para ocupar o espaço, pagava um aluguel mensal à Prefeitura. ''Concordo em sair daqui, acho que os ambulantes deixam o Centro mais feio, mas me sinto chateado pela maneira como foi feito. Tenho cinco funcionários que de repente ficaram sem emprego'', desabafou o comerciante, alegando ter recebido um aviso da Prefeitura para desocupar o local há apenas três dias.
''Recebi a notificação mas não acreditei. Já estava providenciando outra loja para transferir as mercadorias, esperava conseguir mudar com mais calma'', comentou Martinez.
Outros três ambulantes que trabalham no entorno da praça também serão notificados a deixar o local nos próximos dias. ''A Rocha Pombo foi tombada como patrimônio histórico-cultural e está sendo restaurada de acordo com seu formato original, que engloba o quarteirão inteiro'', explicou o presidente da CMTU, Mauro Yamamoto.
Conforme ele, toda ocupação de espaço público é precária e não tem caráter permanente, apesar de os ambulantes pagarem taxa ao Município. ''No caso deste comerciante, ele recebeu o aviso há três dias úteis e tinha conhecimento da situação há pelo menos uma semana. Se três dias era pouco ele deveria ter pleiteado mais tempo com a Prefeitura'', informou.
Ainda segundo Yamamoto, o projeto de recuperação da Praça Rocha Pombo deve ser concluído no final de novembro e inclui a colocação do piso original e a implantação de um jardim. ''Não vai ficar ninguém na praça, vamos tirar todos os ambulantes de lá para que o local se transforme em mais um ponto de lazer da cidade.''
Vizinho de Martinez, o comerciante João Alves lembrou que a banca de revistas da família está localizada na Rua Sergipe há 35 anos. ''Até o Lula já comprou jornal com a gente'', recordou o jornaleiro, que ainda não foi notificado. ''Quando cheguei para trabalhar eles já estavam retirando tudo. A gente fica apreensivo'', comentou Alves, que decidiu deixar as portas da banca fechadas pela manhã.
Conforme o presidente da CMTU, por lei, apenas 200 vendedores podem atuar na Região Central. ''Estamos levantando a documentação dos ambulantes e há muita irregularidade. Essa banca que foi fechada, por exemplo, não tinha documentação'', afirmou.


