CMTU estuda desativação do Terminal
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de agosto de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU) está avaliando a viabilidade de implantar em Londrina o sistema de bilhetagem eletrônica nos ônibus urbanos. A medida deverá trazer mudanças importantes. Uma delas é a desativação parcial do Terminal Urbano, hoje já saturado pela carga diária de cerca de 140 mil usuários.
A medida ainda está sendo estudada, sobretudo no que diz respeito aos custos de implantação, mas cogita-se que ela poderá ocorrer ainda durante a atual administração, que acaba em 2004. ''O principal motivo (do estudo) é tentar melhorar a qualidade do serviço de transporte coletivo'', destacou a diretora de operações e transporte da CMTU, Rosemeire Suzuki Lima. Segundo a diretora, além do benefício para o usuário, o novo sistema também permitirá que o trânsito na área próxima ao Terminal Urbano flua com mais rapidez. Além disso, com menos circulação de dinheiro no interior dos ônibus, a CMTU acredita que o número de assaltos também cairá drasticamente.
Baseado num sistema de cobrança da tarifa por cartões magnéticos, a bilhetagem eletrônica possibilitará que a integração entre as linhas possa ser feita em qualquer ponto de ônibus do centro. Isso eliminará, em parte, a necessidade de se manter um espaço aglutinador de passageiros como o Terminal Urbano. A área, que já foi até objeto de cobiça por parte dos camelôs que queriam transformar o local num camelódromo , operaria apenas parcialmente servindo de ponto de referência para o usuário.
Por outro lado, devido aos altos custos ainda não divulgados para sua formatação, a modernização do transporte coletivo atráves de catracas eletrônicas poderá provocar um aumento no preço da tarifa, que hoje é de R$ 1,15, e diminuição no número de postos de trabalho. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Londrina (Sintrol), João Batista da Silva, comentou que a ''modernidade'' espreme a categoria. ''Para o usuário, essas medidas não resultaram em nenhum benefício e as tarifas ficaram mais caras'', disse, citando o exemplo de Campinas (SP), pioneira no sistema, onde, desde maio de 2001, o passe custa R$ 1,30. Naquele município, segundo o sindicalista, esse valor só não aumentou por causa da atuação dos perueiros.
As empresas que operam o transporte coletivo em Londrina, Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e Francovig, são favoráveis e afirmam que é uma tendência irreversível de modernização na prestação do serviço. O gerente da TCGL, Gildalmo de Mendonça, argumentou que seria prematuro falar em aumento do passe de ônibus. ''Não é interesse da empresa reajustar tarifa e (quando isso ocorre) não é por nossa vontade'', destacou. Ele também descartou possíveis demissões. ''(A catraca eletrônica) dificilmente resulta na eliminação do cobrador. Eles poderão ser aproveitados em outras funções'', assegurou.


