CMTU estuda alternativas para chorume
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quinta-feira, 28 de maio de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina A administração municipal ainda estuda alternativas para tratamento do chorume, resíduo proveniente do lixo comum, serviço cujo contrato venceu em 17 de maio e não foi renovado. De acordo com o gerente de Projetos Ambientais e Planejamento da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gilmar Domingues Pereira, o órgão busca novas tecnologias para resolver o impasse. "Isso deve ser solucionado num prazo máximo de 60 dias", prometeu.
Nos últimos seis meses, o líquido tóxico foi coletado pela Empresa Maringaense de Tratamento de Efluentes (Emtre), com sede em Maringá. O contrato terceirizado terminou e há dez dias o chorume se acumula nas lagoas da Central de Tratamento de Resíduos (CTR), no Distrito de Maravilha, zona sul da cidade.
Pereira destacou que um estudo técnico deve ser elaborado em até 15 dias. O documento deve conter a avaliação prévia de novas tecnologias que poderiam ser adotadas na gestão do resíduo em Londrina. "O nosso grande desafio hoje é a busca por um tratamento de chorume que seja ainda mais barato para o município. Estamos pesquisando meios como a eletrofloculação [tratamento que depende da energia elétrica]. Neste caso, o custo não é baixo e ainda teríamos a água residuária que teria que ser disposta de alguma forma. O tratamento por osmose reversa é um processo também com alta tecnologia e que demanda algumas deliberações em relação ao efluente depois de tratado", detalhou. Conforme o gerente da CMTU, os custos com o transporte do líquido encarecem as possíveis soluções para dar a destinação correta ao material.
Após a entrega do documento, a intenção é elaborar um novo edital de licitação e reiniciar o tratamento do chorume em até 60 dias, prazo para que as cinco lagoas de chorume instaladas na CTR passem a operar. Juntas, as três lagoas possuem capacidade máxima de 15 mil metros cúbicos. De acordo com a companhia, em média, 85 metros cúbicos de chorume são gerados diariamente. No entanto, as lagoas não possuem cobertura e o volume pode aumentar conforme a ocorrência de chuva. "No relatório técnico, estou sugerindo a colocação de coberturas nas lagoas [com manta de polietileno de alta densidade]. Isso demanda um volume razoável de recursos financeiros, mas já faz parte do nosso projeto fazer essa proteção contra a chuva", destacou.
Mesmo com os estudos em andamento, o gerente de Projetos Ambientais e Planejamento já admitiu que o contrato com a empresa maringaense parece ser o mais viável economicamente. "Esse tratamento biológico, seguido de físico-químico, feito pela empresa de Maringá, é um tratamento correto, a tecnologia é ideal para o tratamento de chorume e mais barato que isso nós não encontramos até agora", afirmou Pereira. A empresa recebeu R$ 1.240.200 para o transporte e tratamento de 18 mil metros cúbicos de chorume durante os seis meses. A coleta diária era de aproximadamente 100 metros cúbicos de resíduo.
Para o coordenador da Câmara Técnica de Resíduos Sólidos do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma), André Moreira de Aguiar, a falta de planejamento prejudica a gestão ambiental em Londrina. "O município deixa de ter acesso a recursos do governo federal por não possuir Plano Municipal Integrado de Gerenciamento de Resíduos. O que temos hoje são projetos variados, mas não algo que englobe logística reversa, coleta de lixo e o tratamento de chorume e todas as outras questões, por exemplo", criticou.
De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente, 1.865 municípios do Brasil haviam elaborado o documento até o ano passado. Ainda conforme a assessoria, desde agosto de 2012 o governo federal só libera recursos para as cidades que apresentam o plano de gestão integrada. "A falta do plano traz consequências graves para o município porque você vive apagando incêndio. Apesar de agora não ser um período muito severo de chuva, o risco que se tem é o chorume acabar transbordando e esse líquido contaminar córregos e lençóis freáticos. No momento, teríamos apenas ações emergenciais como o transporte de chorume para o tratamento adequado. Enquanto isso, teria que ser implantada uma unidade de tratamento no município. O chorume não vai esperar uma solução. Ele vai continuar sendo gerado diariamente", reforçou Aguiar.
Pereira nega que o município tenha perdido recursos pela falta do Plano Municipal Integrado de Gerenciamento de Resíduos.


