A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e a Polícia Militar (PM) iniciaram ontem um trabalho de fiscalização intensa no Calçadão e nas vias próximas, na área central de Londrina. Ao todo, nove agentes da CMTU e dois PMs tentarão coibir a ação de vendedores irregulares - que comercializam produtos como CDs piratas, carteiras e capas de celular - na região. A partir da próxima semana, parte da equipe será deslocada para efetuar fiscalização semelhante em outros pontos da cidade, como rotatórias e feiras livres. Esse trabalho intensificado será mantido até o final do ano.
Segundo Álvaro Grotti Júnior, diretor de operações e trânsito da CMTU, a instrução era para que ontem os agentes conversassem com os vendedores e lhes informassem que deveriam deixar as ruas. Em caso de recusa, os comerciantes poderiam ser autuados, e as mercadorias, apreendidas. Grotti informou que até a tarde não havia recebido informações sobre autuações e apreensões; porém, alguns vendedores relataram que pela manhã um ambulante que comercializa cintos e carteiras teve produtos recolhidos pelos agentes.
Alguns comerciantes fugiram quando perceberam a chegada dos fiscais da CMTU e da PM. Ainda pela manhã, um grupo de cerca de 15 vendedores foi até a sede da companhia e, numa reunião, pediu para que o poder público oferecesse uma alternativa de trabalho. Ficou acertado que os comerciantes irão fazer um cadastro dos vendedores ambulantes residentes em Londrina que trabalham na área central.
Após isso, a CMTU decidirá o que pode ser feito. ''Devido ao Código de Posturas, não podemos avalizar uma ilegalidade como o comércio irregular, mas também não podemos dar as costas para estas pessoas'', disse Grotti. O diretor informou que a hipótese de alugar um espaço para os vendedores, nos moldes do Camelódromo, está fora de questão. Dentro dos próximos dias, a diretoria da CMTU realizará reunião para apontar as primeiras alternativas.
Vendedores entrevistados pela Folha estimaram que cerca de 40 ambulantes em situação irregular residentes em Londrina trabalham nas cercanias do Calçadão. ''Estamos trabalhando na rua porque não conseguimos emprego e precisamos sustentar nossas famílias. Eu tenho esposa e dois filhos'', afirmou o comerciante Elias Anastácio Freitas.
O também vendedor Nilton Mendonça da Silva deu depoimento parecido: informou que não consegue emprego com carteira assinada há 12 anos. ''Não nos oferecem uma solução e ainda vêm tomar nossos produtos. Eu tive um prejuízo enorme em junho, quando agentes da CMTU apreenderam minhas mercadorias. Foram mais de R$ 1.000 em produtos'', lamentou. ''Eu não sei onde estão os 20 mil empregos de que o prefeito falou durante a campanha'', ironizou Álvaro César Pistori, outro comerciante.
A situação do grupo de cerca de 15 hippies que voltou a expôr seus produtos artesanais nas proximidades do Cine-Teatro Ouro Verde continua indefinida. Já houve várias tentativas de transferí-los para outros locais, mas todas fracassaram. ''As conversas sobre este assunto ficaram meio paradas nas últimas semanas, mas agora serão retomadas'', garantiu Grotti.

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