A Associação de Defesa dos Direitos do Trânsito, criada em março deste ano em Londrina, acusa a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de promover a chamada ‘‘indústria da multa’’ na cidade. A acusação é que as defesas das multas não estão sendo julgadas, já que os pareceres de indeferimento têm um texto padrão, independente do que foi alegado na defesa.
‘‘Em alguns casos, o texto remete a aspectos que nem foram argumentados na defesa. Estamos elaborando um documento, com todas as provas de fraude, para apresentar ao Ministério Público’’, disse Ericson Lemes da Silva, presidente da associação. No início do ano, a Folha denunciou a ocorrência das mesmas irregularidades. Consultado, o presidente da CMTU, Wilson Sella, afirmou que o fato acontecia na administração passada e que ele iria regulamentar o julgamento das defesas.
A motorista Priscilla do Vale Escobar, de 18 anos, acredita que seu processo nem foi lido, porque requisitou que a notificação de julgamento fosse expedida para seu novo endereço, mas não foi atendida. Além disso, o documento é assinado pelo ex-diretor de trânsito da CMTU, Moisés Cardeal da Costa, datado de 30 de junho de 2000, anterior a própria infração. Ela foi multada em agosto de 2000 por avançar o sinal vermelho na esquina das ruas Pernambuno e Benjamin Constant e, em setembro entrou com recurso. A resposta chegou em janeiro deste ano. ‘‘O processo foi mandado para o endereço antigo, e o texto dava respostas para coisas que não aleguei na defesa. A impressão que dá é que não leram a minha defesa’’, disse.
Sella afirmou, ontem, que não pôde confirmar se realmente houve irregularidades no ano passado no julgamentos das defesas. ‘‘Os técnicos faziam e fazem a leitura dos processos e para casos iguais, as respostas são iguais. Temos 211 decisões padrões’’, disse. Ele lembrou ainda que as pessoas que se sentiram prejudicadas ainda podem recorrer a duas instâncias, ao Conselho Estadual de Trânsito e à Justiça Comum.

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