CMTU desocupa último box do Terminal Urbano
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de março de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A doceria existente no subsolo do Terminal Urbano de Transporte Coletivo (Área Central) foi fechada ontem por ordem do juiz da 3 Vara Cível, Rafael Vieira de Vasconcelos. Esta foi a última loja do local a ser desocupada a pedido da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para construção de duas escadas rolantes e um elevador no local. À tarde, funcionários da loja retiraram o estoque e equipamentos.
O assessor técnico em transportes da CMTU, Marco Antonio Bacarin, disse que a companhia vai enviar segunda-feira um ofício para a empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), comunicando sobre a liberação para o início das obras. Os demais boxes foram liberados na quarta-feira, quando a CMTU obteve liminar. A assessoria de imprensa da TCGL havia afirmado no início da semana que a empresa esperava somente o local estar desocupado para começar as obras.
''O projeto já está pronto desde a abertura do edital de licitação. Agora só é necessário um detalhamento do projeto e medições para encomendar as escadas'', destacou Bacarin. Segundo ele, a obra vai exigir a derrubada das paredes internas e alguns pilares e a retirada dos boxes existentes no subsolo do terminal. O prazo para fabricação das escadas sob medida é de 90 dias e o da montagem é de um mês.
No edital de licitação, ficou definido que a TCGL será a única responsável pela construção das escadas rolantes e do elevador. Segundo Bacarin, esta é a parte mais cara da reforma do terminal e foi delegada à TCGL porque a empresa ficou com a maior parte das linhas na licitação do transporte coletivo. Segundo a CMTU, a TCGL é responsável por 82% e a Francovig por 18% do valor total de R$ 8,5 milhões da licitação. A CMTU recomendou a colocação de tapumes para proteger os passageiros que utilizam as plataformas ao lado dos boxes, que não serão deslocadas durante a reforma.
Bacarin estima que a obra deverá ter início em cerca de dez dias. O prazo para conclusão é de seis meses a partir da assinatura da ordem de serviço, feita há 15 dias. Segundo ele, o Terminal Urbano recebe de 150 mil a 170 mil usuários por dia.
O procurador da doceria, José Carlos Maia, criticou a atitude da CMTU de determinar a desocupação dos estabelecimentos comerciais. ''É lamentável que a CMTU tenha tomado esta atitude tão brutal e não tenha tentado um acordo com os comerciantes'', declarou. Ele não poupou nem mesmo o Poder Judiciário. ''Lamento também porque a Justiça foi conduzida a erro por uma falácia'', completou.
A suposta falácia apontada por Maia é o fato de a CMTU ''alegar'' que notificou a empresa antes da desocupação. Bacarin disse ontem que no dia 5 de fevereiro os comerciantes participaram de uma reunião onde foi discutida a desocupação. A ata foi assinada por José Carlos Maia. O procurador da empresa, no entanto, afirma que assinou somente uma lista de presença e que a ata teria sido elaborada após o fim do encontro. ''Em nenhum momento nós fomos notificados'', rebateu.


