''Morar nessa cidade hoje me envergonha.'' A frase de uma moradora que passava pela Praça 21 de Abril, na Rua Quintino Bocaiúva, resumiu a opinião de outros moradores da região, que assistiram, na manhã de ontem, à retirada de mais uma banca de revistas do quadrilátero central por agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). A ação faz parte do projeto de revitalização do Centro de Londrina e a CMTU pretende realizar uma licitação para escolha dos novos permissionários dos quiosques.
Desta vez, a Banca Amiga, que comercializava revistas há mais de quatro décadas, foi desmontada sem a presença do proprietário. Este foi o quarto quiosque desapropriado pela CMTU. ''Estava chegando para trabalhar quando vi a CMTU desmontando tudo. Não consegui salvar nada'', disse a funcionária Andréia Barboni, que trabalha na banca há três meses.
Como o patrão está viajando, Andréia acionou o pai dele, João Basques. ''Meu filho iria retirar tudo da banca e levar para outro negócio que ele mantém em Ribeirão Preto (SP)'', comentou Basques, citando que o filho havia sido notificado pela Prefeitura e pretendia deixar o local o quanto antes.
Na mesma praça, outros dois quiosques permaneciam de portas abertas ontem. O casal Teresa e Yoshio Nakata, donos de uma banca de pastel no local há 13 anos, conseguiram prorrogar o prazo de permanência até 20 de julho, assim como o vizinho, dono de uma banca de café, que preferiu não se pronunciar. Permissionários de outras duas bancas na região escolheram não trabalhar.
Nesta semana, o dono do quiosque ''Chopão do Baianão'', parcialmente desmontado na semana passada, conseguiu na justiça tutela inibitória. Isso impede a CMTU de desmontar a estrutura, no Calçadão, até que seja analisado o pedido de liminar impetrado pelo advogado do comerciante.
Segundo Josoílson Gardiano Guilhen, dono de uma casa de sucos no Centro, os donos de quiosques estão em vígilia. Ainda conforme o comerciante, a data limite para a retirada dos quiosques foi sexta-feira passada. ''Continua o medo e muitos estão dormindo nos quiosques, mas estamos unidos.''

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