Sob muita reclamação, mas sem resistência, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) conseguiu, ontem, retirar os comerciantes do Terminal Central de Transporte Coletivo de Londrina. Oficiais de Justiça chegaram ao local no final da manhã para cumprir a liminar de reintegração de posse expedida, um dia antes, pelo juiz da 3 Vara Cível, Rafael Vieira de Vasconcelos.
Apenas uma loja permaneceu aberta, por força de liminar concedida na última segunda-feira, pelo mesmo juiz. Ao todo, foram fechados quatro estabelecimentos até o final da tarde de ontem. Uma lanchonete localizada no piso superior que ainda estava funcionando deveria começar a retirada de seus produtos no início da noite.
Quando chegaram ao local, os oficiais encontraram a maioria dos boxes fechados. Os produtos de alguns estabelecimentos foram retirados por funcionários de uma empresa contratada pela CMTU. Segundo os oficiais de Justiça, uma pessoa que se apresentou como responsável por alguns boxes que estavam fechados informou que retiraria as mercadorias ainda restantes entre a noite de ontem e a manhã de hoje. Os oficiais pediram reforço policial para acompanhar a transferência dos produtos da lanchonete do piso superior, que seria iniciada no começo da noite, pois temiam protestos dos funcionários.
O primeiro box desocupado ontem foi a casa lotérica onde trabalhava Antônio Roberto Arruda Bena, no subsolo do terminal. Bastante revoltado, ele fez críticas inflamadas à CMTU e à ação dos oficiais, antes de iniciar a retirada dos móveis e objetos do estabelecimento. ''É humilhante, nunca vi uma desocupação feita dessa forma. Não sou bandido, estou aqui trabalhando. Isso foi adquirido legalmente, por meio de licitação. Não fomos avisados para sair no ano passado, como a CMTU fala. Eles são uns mentirosos'', desabafou.
O quiosque de pipocas, também no subsolo, foi completamente removido. O comerciante Juarez Martins Toledo empacotou todo o conteúdo do quiosque, deixando a estrutura para ser desmontada e levada pelos funcionários contratados pela CMTU. Questionado se seu estabelecimento estava em situação regular, Toledo se disse confuso. ''Nem eu sei mais. Estou me sentindo perdido'', comentou.
Perdidos também estavam os frequentadores do Terminal. A reportagem da Folha foi abordada diversas vezes por usuários que não tinham a menor idéia do que estava acontecendo e foram surpreendidos pela presença de jornalistas, fiscais e policiais militares. Clientes usufruíram da lanchonete do subsolo até o último instante, quando a CMTU interditou, com faixas, toda a plataforma onde funcionava o comércio. As linhas de ônibus que paravam na mesma plataforma foram deslocadas para outras e os coletivos deram lugar para carretas de transporte de mudanças.
O gerente da lanchonete, Wagner Knippelberg, se recusou a retirar os produtos e prateleiras do estabelecimento. ''Nós não vamos tocar em nada. O interesse é da CMTU, ela que tire'', sentenciou. O gerente comentou que foi pêgo de surpresa com a reintegração de posse, e que o advogado da empresa está tentando reverter a decisão na Justiça. ''São dezenas de pessoas que estão perdendo seus empregos''.(Colaborou Fábio Galão)

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