CMTU apura venda de barracas
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quinta-feira, 04 de outubro de 2001
Betânia Rodrigues<br> De Londrina 
''Quem comprou o ponto vai perder o dinheiro que investiu'', avisou o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), Wilson Sella. Ele disse que a companhia tem como comprovar se camelôs instalados no trecho interditado da Avenida São Paulo, na área central da cidade, estão vendendo as barracas. A CMTU deve expedir a licença provisória das barracas e vai confrontar o documento com a lista dos camelôs cadastrados.
Segundo Sella, a comercialização é proibida e os camelôs sabiam disso. O presidente da CMTU recebeu a denúncia há uma semana e não tomou providências, alegando que ''estava muito ocupado com outros problemas da companhia''. Para ele, a transação entre camelôs não prejudica a cidade e sim aqueles que fizeram o negócio.
Desde a inauguração do camelódromo, há dois meses, cerca de 20 pessoas transferiram o ponto. No entanto, a CMTU só foi comunicada ontem pela diretoria da Associação dos Vendedores de Produtos Nacionais e Importados (AVPNI). Manoel Barbosa Freire, presidente da entidade, disse que as substituições estão sendo feitas entre familiares para facilitar a obtenção de empréstimos junto à Caixa Econômica Federal. Segundo ele, o banco é um provável financiador do Pop Shopping, um projeto da categoria.
''Aqui ninguém é Papai Noel. O mínimo que o novo proprietário deve fazer é ressarcir os gastos com o estande'', comentou o vice-presidente da AVPNI, Rogério Gonçalves do Nascimento. Cada camelô assumiu uma dívida de R$ 312,00 com a serralheria que fez as barracas. Segundo Freire, muitos estão com dificuldade para saldá-la. Além disso, eles reclamam do valor do condomínio pago para manter a segurança e limpeza do local. ''Desde que viemos para cá nosso rendimento caiu de 30% a 40% e eu já gastei R$ 612,00 em benfeitorias. Pagar R$ 20,00 de condomínio é muito caro'', afirmou Valto Antonio Passos.
Rita Siqueira tem a mesma opinião e afirma que se precisasse vender o ponto não o faria por menos de R$ 1 mil, já investidos. Embora negue a conivência da AVPNI com qualquer tipo de negociação, Manoel Freire admite a possibilidade de algum associado ter lucrado com transferências forjadas. ''Sem provas não há como punir ou defender ninguém'', concluiu.


