O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, admite que o preço da tarifa do transporte coletivo é alto. No entanto, afirma que é impossível reduzir o preço atualmente. Argumenta que existe um ''círculo vicioso'' na necessidade de aumento no número de passageiros para viabilizar o passe mais barato.
''Eu também fico indignado com uma passagem de R$ 1,90'', declara Campos. Por outro lado, o preço é avaliado como justo. ''Se o princípio da justiça é o que é certo, então ela (a tarifa) é justa. Mas é cara. Cara não quer dizer que seja injusta'', acrescenta.
A planilha que define o preço da tarifa segue um modelo elaborado pelo Ministério dos Transportes usado pela maioria das cidades de grande e médio porte. O formato levou cerca de três anos para ser confeccionado. Os ítens considerados são dividos entre receita (número de passageiros pagantes) e despesas (folha de pagamento, combustível, pneus, outros insumos). Dados como idade da frota também são levados em conta.
O número médio mensal de passageiros pagantes é de mais de 3,3 milhões em Londrina. O número poderia ser maior se não fossem fatores como as gratuidades, quem prefere andar de veículo próprio e quem não pode pagar a tarifa atual. ''A passagem custa caro porque tem menos passageiros andando de ônibus. E tem menos gente andando de ônibus porque a passagem custa caro'', diz.
O cenário mostrado pelo presidente da CMTU não é nada promissor. Campos não enxerga alternativas viáveis para reduzir a tarifa. A única alternativa seria ''convocar todo mundo que não está andando de ônibus e tenha a opção de andar de ônibus, que o faça porque vai contribuir para reduzir a passagem.'' Outra alternativa é cobrar das esferas federal e estadual redução de impostos sobre os insumos do transporte coletivo.
Os cálculos são feitos por uma equipe de técnicos da CMTU. A pesquisa é feita por cotação de preços. Os fornecedores recebem ofício e informam os valores dos produtos. Sempre considerando que as compras são feitas no atacado, em grande quantidade e à vista, o que permite redução de custos.
Autorizado em janeiro, o último aumento elevou a tarifa de R$ 1,60 para R$ 1,90. De acordo com a planilha, o valor exato é R$ 1,9162. Um decreto do prefeito determinou o arrendondamento para baixo. Como a tabulação leva em conta os custos, de onde viria o lucro das empresas? De acordo com Gabriel Ribeiro de Campos, a capacidade de gerenciamento pode possibilitar a rentabilidade.
As empresas podem fechar contratos com fornecedores por valores menores do que os previstos na planilha. A qualidade do treinamento dos funcionários, a fiscalização e o gerenciamento dos insumos são alguns pontos destacados pelo presidente da CMTU.
O controle do número de passageiros é feito por fiscais da CMTU, nas roletas de cada um dos 329 ônibus da frota, divididos entre as duas empresas concessionárias. O número total de passageiros transportados (soma de pagantes-viagens, meia tarifa e alguns tipos de isenção) ultrapassa os 3,7 milhões.

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