O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, admitiu ontem que existe a chamada ‘‘indústria da multa’’ em Londrina. Ele fez a declaração ao saber pela Folha que um grupo de proprietários de veículos e motoristas está acionando judicialmente a CMTU que está sendo acusada da emissão irregular de multas de trânsito e fraude na expedição dos recursos impetrados.
Sella disse que a partir de agora a companhia pretende fazer da multa um instrumento de educação no trânsito e não de punição, como vem acontecendo. O grupo também acusa a companhia de emitir o parecer do recurso com datas que antecedem a data da aplicação das multas. A administração anterior da companhia alegou que os indeferimentos para casos em que o reclamantes não apresentam provas contundentes é emitido num documento padrão. O presidente da CMTU disse que não vai admitir esse tipo de procedimento.
‘‘Não aceito essa explicação. Cada caso tem que ser analisado separadamente. Não existe uma resposta e nem uma análise genérica’’, afirmou Sella. Ele ressaltou que adotou um novo sistema de trabalho que vai permitir que os usuários tenham acesso direto ao seu gabinete.
O aposentado Massaro Tanaka, ex-diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), recebeu uma multa que o acusa de ter avançado o sinal na esquina das ruas Hugo Cabral e Benjamin Constant às 16 horas do dia 6 de julho. ‘‘Eu jamais iria furar o sinal numa esquina movimentada como essa. Mas o pior é que depois que recorri da multa descobri que eles emitiram o parecer negando a minha apelação antes mesmo de eu ter sido multado’’, afirma.
O indeferimento emitido pela CMTU tem data de 30 de junho, ou seja, seis dias antes do aposentado ser multado. ‘‘Isso comprava que a CMTU nem analisou o recurso e emitiu um parecer qualquer’’, diz.
Além das reclamações por causa da emissão das multas, os motoristas também reclamam que a CMTU demora cerca de um mês para fornecer uma cópia do processo. ‘‘O prazo para eu recorrer pela segunda vez está acabando e eu ainda não consegui uma cópia do processo para saber qual o motivo do indeferimento’’, relata o mecânico Roni Dutra de Souza.
O servidor público estadual Oswaldo Benatti disse que, no dia 8 de agosto, estacionou seu veículo durante toda a manhã em frente à Livraria Bom Livro, na Rua Pernambuco e ao tentar pagar o IPVA constatou que havia sido multado por ter estacionado em local proibido. ‘‘Só que ali todo mundo sabe que pode estacionar. Nunca recebi nada sobre a multa.’’
Um funcionário da CMTU, que pediu para não ser identificado, disse que muitas vezes os computadores da companhia acusam multas de motocicletas porque o motorista não estaria usando cinto de segurança. Ele disse ainda que cerca de 100 pessoas procuram a CMTU por dia para reclamar de multas. O funcionário também confirmou que para obter uma a cópia do processo, os motoristas esperam até 30 dias. ‘‘Mas se ficar ligando aqui todo dia e pressionando sai em uma semana’’, afirmou.

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