Sid Sauer
A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Mourão assinou ontem à tarde convênio com a Santa Casa para a implantação do programa Família Saudável, também conhecido como ‘‘médico da família’’. Pelo convênio, a prefeitura vai repassar mensalmente R$ 4,88 mil para o pagamento de uma médica, uma enfermeira, uma auxiliar de enfermagem e quatro agentes de saúde para trabalhar no programa.
Os primeiros beneficiados são os cerca de 3,5 mil moradores da Vila Guarujá, que fica ao lado do lixão, e parte do Jardim Modelo. Apesar do programa ter sido lançado oficialmente apenas ontem, a médica Lisiane Frantz, contratada para coordenar o projeto, trabalha na Vila Guarujá há dois meses. Nesse período, ela visitou todas as casas do bairro e fez um levantamento dos problemas de saúde mais comuns entre os moradores.
Segundo Lisiane, problemas respiratórios, verminoses e anemias são os principais desafios do programa. Na Vila Guarujá, a médica também considerou grave o problema do alcoolismo. ‘‘O programa vai atuar principalmente na prevenção de doenças’’, explica a secretária de Saúde, Rosemeire do Carmo Martelo. Outra novidade são os internamentos domiciliares, nos quais o paciente fica internado em casa com o acompanhamento da equipe do Família Saudável.
Na Vila Guarujá, os atendimentos são feitos às segundas e terças no posto de saúde. A médica faz as visitas domiciliares às quartas e sextas e reserva as quintas-feiras para palestras com os moradores. O mesmo esquema deve ser adotado agora no Jardim Modelo. ‘‘Nunca tinha visto um médico atender em casa’’, aprovou a dona de casa Santa Matilde Nogueira Gonçalves, 40 anos.
Sem água Dona Santa foi visitada pela médica ontem de manhã porque a neta dela, Marizel, de 1 anos e 3 meses estava com problemas respiratórios. ‘‘A médica disse que deve ser bronquite’’, disse a dona-de-casa, já com a receita na mão. Dona Santa mora com o marido, Orlando Ferreira Gonçalves, 48, dois filhos - um de 7 e outro de 11 anos - e a neta num casebre de dois cômodos que está sem água e sem luz. ‘‘Emprestamos água do vizinho’’, conta a dona de casa.
Segundo Gonçalves, a água e a luz foram cortadas por falta de pagamento. O aluguel da casa, de R$ 20,00, também não é pago há dois meses. Para piorar, Gonçalves foi operado de hérnia e não trabalha há seis meses. Mesmo assim, ele se diz animado. ‘‘Saí de Minas Gerais com 16 anos e nunca tinha visto um médico na vida. Hoje eles vêm na casa da gente’’, disse. ‘‘Nosso presidente está de parabéns’’, afirmou, sem saber que o programa é bancado pela prefeitura.

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