CMDCA reivindica centro de referência
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terça-feira, 06 de maio de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Londrina não dispõe de um centro de referência para atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência, embora autoridades que prestam atendimento em instituições locais apontem que as ocorrências são diárias. No último domingo a luz vermelha foi acionada, com o caso extremo do bebê Jussara da Silva Bernardo, de 39 dias, morto dentro de casa. O pai confessou o espancamento e está preso do Centro de Detenção e Ressocialização. O preocupante é que, com a ausência do centro de referência, nem todas as vítimas conseguem ter acesso a um atendimento de qualidade.
Nos conselhos tutelares, atos envolvendo violência física, psicológica ou sexual são denunciados diariamente e correspondem à maioria dos atendimentos prestados. Somente em relação aos casos de crimes sexuais, o Município registra uma suspeita a cada 48 horas.
A presidente do Conselho Tutelar que atende o Centro e as zonas Leste e Oeste, Edna Hermeto dos Santos, estimou que pelo menos 15 dos cerca de 20 atendimentos diários se relacionam a violência. ''É nossa maior demanda'', afirmou. Ela observou ainda que boa parte das vítimas sofre todo tipo de agressão, desde a física até a psicológica, porque o agressor está dentro de casa.
Situação confirmada pela presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e coordenadora do Projeto Sentinela - que atende somente crianças e adolescentes vítimas de violência sexual -, Télcia Lamônica Oliveira. Ela apontou que o órgão registrou no ano passado 261 novos casos (162 contra meninas e 99 contra meninos), sendo que 48% das vítimas foram atacadas por parentes ou pessoas muito próximas. Envolvidos diretamente em 21% dos casos, os pais biológicos foram os maiores agressores. Abusos cometidos por padastros somaram 13%. A maior parte das vítimas tinha entre sete e 14 anos.
Apenas nos primeiros 120 dias deste ano, o Sentinela já registrou 61 novos casos de abuso e/ou violência sexual. Ou seja, Londrina tem um caso novo a cada dois dias. ''Crianças e adolescentes são vítimas diárias de violência'', lamentou a conselheira.
Télcia analisou que o número de atendimento é alto mas não se pode considerar esta variável isoladamente. ''Hoje existem pessoas mais bem preparadas para diagnosticar as agressões e violências contra crianças e a comunidade também está mais sensível ao problema e denuncia casos suspeitos'', destacou. Ela reforçou que toda suspeita deve ser denunciada, independente de haver ou não confirmação dos fatos. ''Já atendemos crianças que foram salvas da morte por causa de uma denúncia anônima de um vizinho'', recordou.
Conforme Télcia, no Sentinela as vítimas e suas famílias recebem todo atendimento necessário, que envolve desde o encaminhamento legal da questão até tratamento psicológico. A mesma sorte não tem as vítimas de violência física e/ou psicológica, lembrou a presidente do CMDCA. ''Este serviço público (um centro de referência municipal) não existe e isto nos falta realmente. O Município tem um projeto para ser apresentado ao Fundo Estadual da Infância de um centro para atender todas as situações'', emendou.
O presidente do Conselho Tutelar da Zona Norte, Idalto José de Almeida, também criticou a carência de um órgão que acompanhe as famílias das crianças e adolescentes vítimas de violência. ''Casos de maus tratos e violentos fazem parte da rotina do Conselho'', admitiu.
Almeida lembrou, porém, que a agressão muitas vezes é o desdobramento de uma série de fatores. Ele exemplificou que no caso do espancamento e morte do bebê Jussara, a família tinha um histórico social bastante complicado. Mas há casos de violência envolvendo, por exemplo, famílias de classe média. ''A demanda é maior por fatores sociais, mas é evidente que não é só isso'', reforçou. Uma saída, ressaltou, seriam relações entre pais e filhos baseadas no respeito, e não no medo.
SERVIÇO
Denuncie anonimamente a violência cometida contra crianças e adolescentes: Conselho Tutelar (plantão 24 horas): 9991-6752 / Projeto Sentinela: 3336-2003 /á Disque-denúncia: 100.


