Clubes contratam alunos de Curitiba
Clubes contratam alunos de Curitiba
DivulgaçãoAndréia e Renato, que assinaram com o CuritibanoO sonho de ser um grande jogador de vôlei leva todos os anos centenas de crianças e adolescentes ao Centro Rexona de Excelência em Vôlei, em Curitiba. São mais de 1.000 inscrições para preencher cerca de 750 vagas. Mas o vestibular do vôlei já provou que vale a pena. Dos 990 alunos que passaram pelas escolinhas do Rexona, desde a sua criação, há dois anos, 90 conseguiram uma vaga para treinar e jogar em um dos clubes da capital paranaense.
Este é o caso dos jovens atletas Andréia Aline dos Santos e Renato Correia da Silva. Ambos têm apenas 14 anos e já deram o primeiro passo para a profissionalização no esporte. Desde que saíram do núcleo mantido em parceria pelo governo do Estado e o Rexona, eles integram o time do Clube Curitibano.
Vindos de famílias com baixo poder aquisitivo e moradores de municípios da Região Metropolitana de Curitiba, eles enfrentam uma rotina difícil para poderem estudar e participar dos treinos. Andréia sai de casa, no município de Piraquara, às 5h45 da manhã. Pega três ônibus para chegar ao Colégio Dom Bosco, onde estuda graças ao contrato com o clube, e mais dois para ir ao treino. Além da gente treinar e jogar, recebemos uma bolsa de estudos integral, o que significa um grande crescimento moral, afirma Andréia. O almoço é sempre fora de casa, por causa do tempo. Eu moro longe demais. Se for pra casa almoçar perco o treino e o vôlei é o que existe de mais importante na minha vida, ressalta a atleta.
A rotina de Renato é a mesma. Ele mora em Almirante Tamandaré, levanta muito cedo e só volta para casa à noite. O jogador também recebeu uma bolsa de estudos integral. Nesse caso, o clube cobra dos atletas uma média 6 no colégio mas, com esse dia a dia corrido acaba não sobrando muito tempo para estudar. Eu estudo à noite. Tenho que estudar porque não posso perder a bolsa senão perco junto a chance de jogar, diz Renato, que está no clube há dois anos.
No primeiro ano, o Clube Curitibano fez um acompanhamento com o jogador para avaliar as condições dele na escola e transferí-lo para um colégio particular. O nosso medo era que ele não se adaptasse e não acompanhasse os colegas. Mas o Renato mostrou que tem muita força de vontade e pode render o que esperamos, na escola e no vôlei, afirma o técnico Marcelo Ribaski, da equipe masculina.
Andréia está no clube desde agosto do ano passado e diz que conseguiu adaptar-se com facilidade ao colégio e ao time. No começo eu tive um pouco de medo por causa da diferença social, mas fui muito bem recebida por todo mundo e isso ajuda a superar as dificuldades, afirma.
Para ela, o momento mais difícil até agora foi mesmo o teste de seleção no Rexona. Andréia conta que fez o teste com mais cinco amigos e só ela passou. Fiquei muito nervosa naquele dia. Só o que me deu tranquilidade foi olhar pra minha mãe, diz. O momento mais emocionante, segundo Andréia, também foi no dia do teste. A menina diz que, enquanto tentava mostrar tudo o que sabia para os professores, foi elogiada pelo técnico do Rexona, Bernardinho. Ele passou por mim, enquanto eu treinava toques e disse: Muito bem, é assim que eu gosto, é assim que eu quero. Naquele momento eu tive certeza de que estava no caminho certo, conta a atleta emocionada.
O apoio da família é ponto em comum para ambos. Renato conta que sua mãe está sempre participando dos treinos, conversando com o técnico e transmitindo muita força a ele. Se não fosse a segurança que ela me passa eu não estaria aqui. Ela sabe que essa é a chance da minha vida, afirma.
Para chegar à contratação pelo clube onde jogam hoje, os atletas contaram com a colaboração dos seus professores no Rexona. O centro faz uma espécie de indicação aos clubes que têm interesse em chamar novos jogadores para ingressarem em suas equipes. O técnico de Andréia, Dieter Erdmann, diz que viu a menina jogar pelo Rexona num amistoso com o Clube Curitibano e interessou-se pela segurança que ela demonstra em quadra. Ela tem dom para o esporte e nós vamos trabalhar isso, mas a maior parte desse trabalho depende dela que tem que ter disciplina, garra a força de vontade, afirma o técnico.
Mesmo com tanta responsabilidade, a jovem atleta afirma que tem determinação suficiente para saber onde quer chegar e tenta se espelhar em duas grandes jogadoras. Admiro muito a Márcia Fu e a Waleska. Sonho em ser como elas um dia, diz Andréia.
Quanto ao futuro dos dois jogadores os técnicos têm a mesma opinião. Eles dizem que podem garantir o trabalho técnico, os treinos, mas que a dedicação tem que partir deles. Se eles tiverem sempre a garra que têm hoje, e a vontade de jogar, podem se tornar grandes atletas, diz o técnico Dieter Edmann.
Títulos os atletas já começaram a colecionar. Renato foi vice-campeão estadual e metropolitano na categoria mirim e campeão metropolitano pela categoria infantil. Andréia foi campeã regional e estadual na categoria pré-mirim, vice-campeã regional e campeã estadual na categoria mirim.





