Curitiba - O Clube Curitibano negou o pedido de uma associada de incluir a sua companheira como dependente. O pedido já havia sido recusado na diretoria da gestão anterior e, anteontem, foi apreciado no conselho deliberativo do clube e, novamente, indeferido.
De acordo com a conselheira do Curitibano, Valéria Prochmann, na sessão de votação houve um debate acalorado sobre os fundamentos que basearam a decisão. O estatuto do clube prevê a inclusão de cônjuge ou "companheiro com o qual o sócio mantenha convivência estável, pública e permanente", sem especificar se a relação deve ser entre homem e mulher. "Apenas 14 conselheiros votaram a favor das meninas, argumentando que, por haver essa brecha no estatuto, seria possível. Os contrários ao pedido alegavam que a Constituição Federal afirma valer o título de união estável apenas para parceiros de sexos opostos", conta.
Mas, de acordo com a conselheira, em vários momentos a discussão pendeu para questões pessoais. "Em alguns momentos chegaram a questionar qual banheiro elas frequentariam, por exemplo. A verdade é que o clube tinha autonomia para decidir e poderia ter tomado uma decisão de vanguarda, sendo até o primeiro no Brasil a aceitar essa situação. Mas no final o conservadorismo venceu", lamenta Valéria. Segundo ela, já existe um segundo pedido similar, no caso de um sócio homem querendo incluir seu companheiro. Ele também foi negado na esfera da diretoria e será julgado pelo conselho deliberativo.
No caso das mulheres, elas ainda podem apelar à assembléia geral, instância máxima do clube, ou buscar a Justiça comum. A reportagem da FOLHA procurou os demais envolvidos no caso, mas não obteve sucesso. O Clube Curitibano prometeu divulgar nota oficial, o que não ocorreu até o fechamento desta edição.

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