Clube de Xadrez ajuda a revitalizar o Passeio Público
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de abril de 1998
Israel Reinstein 
Leandro Taques
Vida novaCriado na década de 60, o espaço foi usado por grandes enxadristas paranaenses, como Jayme Suniê, e nos últimos anos tem sido ocupado por prostitutas e ladrões, que quase se tornaram donos do parque (acima). Renato Kravetz, que faz caminhadas no Passeio há 15 anos, diz que muitos dos ladrões são conhecidos dos frequ entadores do parque: Quando os vejo, procuro desviar
O Clube de Xadrez Afonso Grumadas, que fica no Passeio Público de Curitiba, foi reinaugurado ontem, depois de ficar por quase dois anos semi-abandonado. Criado na década de 60, esse espaço - usado por grandes enxadristas paranaenses, como Jayme Suniê - esteve relegado nos últimos anos ao convívio das prostitutas e ladrões, que quase se tornaram donos do parque. Recentemente, a morte de um universitário trouxe à tona a falta de segurança da região. Por mês, a Polícia Militar registra cerca de 50 ocorrências na região.
Espero que essa revitalização do espaço seja o começo do resgate do Passeio, afirmou a pipoqueira Elisabeth França. Vendedora no Passeio há 26 anos, ela conta que a situação do parque está ruim. Você vê assaltos todos os dias. Os punguistas ficam na espreita esperando para dar o bote, diz Elisabeth. As prostitutas não gostam quando a gente denuncia a forma de atuação delas, por isso nos ameaçam e destróem os nossos carrinhos, complementou.
Segundo ela, os ladrões atuam em conjunto com as prostitutas, que avaliam quem estiver circulando pelo local e os clientes antes do assalto. A denúncia de Elisabeth pode ser comprovada com o resultado da investigação do universitário Maurício Razzolini Correia, de 26 anos, morto no dia 5 de abril. Os assassinos - dois homens e três moças, com registros na polícia de prostituição, - planejaram o assalto no Hotel Júpiter, que fica junto ao Passeio.
A dona-de-casa Maria Regina Mendonça, que vive em um dos prédios em frente ao Passeio, diz que perto destes hotéis sempre acontecem brigas e discussões. Dá para ver os ladrões entrando neles, depois de roubar o dinheiro de alguém, denuncia.
Renato Kravetz, que faz caminhadas no Passeio há 15 anos, disse que muitos dos ladrões são conhecidos dos frequentadores do parque. Quando os vejo, procuro desviar dos trombadinhas, conta. Para ele, a segurança do parque era melhor quando os guardas municipais circulavam por ali. Hoje os PMs ficam no módulo e não saem do local, lamenta.
Cultural - O aposentado José Carlos Matheus, que frequenta o parque há 23 anos, lembra quando o local era um dos berços da cultura curitibana. A diversão das famílias e dos jovens era frequentar o Passeio, nos parquinhos ou no bar do centro do parque, disse. Era no Passeio Público, especificamente no Bar Lá no Pasquale, que iam beber os políticos, como Jaime Lerner. Seus filhos andavam de pedalinhos ou viam o grande condor enjaulado. Depois que fechou o Pasquale, os pedalinhos foram embora e as crianças também, disse Renato Kravetz.
A vendedora de pipocas, Elisabeth França, contou que no auge do Passeio Público o parquinho estava repleto de crianças. Comecei aqui com uma cesta de amendoim, que me deu dinheiro para adquirir um carrinho de pipocas, disse. Hoje, ela afirma que não consegue ganhar nem R$ 5,00 por dia. Por causa da violência e das prostitutas, as famílias não estão vindo mais aqui, criticou. Ela também criticou a falta de estrutura para as crianças brincarem. As balanças estão quebradas e o parquinho quase não tem areia, criticou.
Prefeitura - Para tentar contornar estes problemas, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba informou que este ano serão aplicados R$ 1 milhão na revitalização do Passeio. A previsão é que, neste período, seja reaberto o restaurante no centro do parque - onde ficava o Lá no Pasquale. A empresa que ganhou a licitação para exploração do local é a mesma que promove o Festival de Teatro de Curitiba. O espaço vai contar com um restaurante e um espaço cultural.
Além do restaurante, a prefeitura tem programado a instalação de quiosques para fotógrafos, uma ponte com mirante, sanitários e a reforma da ponte pênsil.


