Maringá - O porte de arma nem sempre é requisitado apenas para segurança pessoal. Em alguns casos, é a paixão pelo equipamento, que leva o homem a comprá-lo e fazer uso dele. Em Maringá, o Clube de Tiros fundado em 1996, conta com 147 associados. Cerca de 10% dos sócios, de acordo com Adalberto Sérgio Sobrinho, proprietário do clube, são ‘‘fanáticos’’ por arma. São pessoas que passam horas dentro da sala de tiros treinando com diversos tipos de armas e apresentam um vasto conhecimento sobre legislação, manuseio e técnicas de segurança.
O comerciante Pedro Rosalino Barbosa, 40, é um destes fanáticos que sabe tudo sobre arma e treina com frequência para participar de campeonatos estaduais. Ele diz que atualmente costuma carregar um revólver para segurança particular e da família dele, mas admite que a paixão é antiga. ‘‘Desde criança gosto de atirar e tenho loucura por arma’’, revela. Recentemente ele passou por uma experiência que o fez reforçar os cuidados com a segurança pessoal, e desde então não abandona mais a arma. Apesar de tanta intimidade com o equipamento, ele adverte para os cuidados que as pessoas devem ter ao optar em andar armado. ‘‘É preciso muito treino não só prático, mas principalmente psicológico porque a pessoa que tem porte de arma precisa imaginar a situação de combate e estar sempre preparada para que no momento de uma necessidade, saiba manusear o revólver ou a pistola da forma correta’’, disse.
A busca pela segurança pessoal é sem dúvida o principal motivo que leva as pessoas a praticarem tiro ao alvo em Maringá. O cobrador Marcelo Sales Domingos, 26 anos, tem arma há quatro anos e sempre que pode faz treinamentos. Ele diz que casa dele costuma guardar a arma no cofre, longe do filho de quatro anos. ‘‘O perigo de arma dentro de casa existe, mas preciso trabalhar armado porque minha profissão exige este cuidado’’, afirma. Domingos pratica tiro ao alvo a cada 15 dias.
De acordo com Adalberto Sérgio Sobrinho, além dos 10% de ‘‘fanáticos’’ que frequentam o clube semanalmente, a procura por este tipo de treinamento também é grande por parte dos jovens, que chegam no clube atraídos pela curiosidade e pela vontade de aprender a atirar. ‘‘Às vezes a paixão é momentânea e as pessoas acabam nem tirando o porte de arma depois dos treinamentos’’, explica.
Segundo ele, o maior problema é justamente a falta de informação e a falsa sensação que as pessoas têm de que bastam algumas instruções para conhecer tudo sobre tiro e sobre arma.

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