Interesses particulares e corporativos podem interferir na revisão do Plano Diretor de Londrina e desvirtuar a implementação de pontos importantes. Essa foi a principal polêmica levantada por membros do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), anteontem à noite, em reunião com o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Jurandir Guatassara. Outro tema relevante observado pelos participantes foi a falta de recursos para viabilização do plano. A revisão de vários itens do plano, que está sendo proposta pelo Ippul, é vista com ressalvas pelo Ceal.

Na opinião do vice-presidente do Ceal e representante do Conselho Municipal de Planejamento Urbano (Cmpu), Eduardo Suzuki, a interferência de pessoas e grupos já aconteceu em outras oportunidades. Para ele, o Ippul necessita, obrigatoriamente, de um corpo técnico que possa trabalhar com isenção e profissionalismo, antevendo problemas estruturais em todas as áreas do município e apresentando soluções.

A fragilidade da situação econômica do País e a desigualdade de oportunidades criaram problemas sociais, como a ocupação desordenada dos espaços urbanos, observou Suzuki. Segundo ele, não há política urbana para a população de baixa renda. O Plano Diretor, para o vice-presidente do Ceal, pode apresentar alternativas, principalmente no que se refere à descentralização de serviços. Ele citou como exemplo a construção da Suprecreche na área central da cidade, o que dificulta o deslocamento dos moradores de bairros distantes.

Entre os membros do Ceal, foi consenso geral a definição e descrição imediatas de pontos polêmicos do Plano Diretor, como fundos de vale, áreas industriais e residenciais. Também foi citado o caso das chamadas zonas especiais, que são áreas definidas pelos engenheiros e arquitetos como ''uma espécie de limbo, onde não se sabe bem a que se destinam''. Todos concordaram que o Ippul precisa se fortalecer para não parecer inoperante. O Clube de Engenharia se prontificou a apoiar o órgão.

Guatassara disse que o apoio vem em boa hora, ''já que a Lei de Responsabilidade Fiscal impossibilita a contratação de técnicos''. Ele ainda afirmou que a revisão do Plano Diretor será feita, mas antes será ouvida a opinião de técnicos, além de vereadores e representantes de entidades.

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