O corte de duas araucárias, árvore símbolo do Paraná, pode custar caro ao presidente do Clube Curitibano, Luiz Gonzaga da Motta Ribeiro. Além de pagar uma multa e responder um processo na Delegacia de Meio Ambiente, por crime ambiental, Ribeiro corre sério risco de perder o cargo por causa da revolta dos sócios. Cerca de 300 dos oito mil sócios já se organizaram para pedir uma assembléia, que tem poder de destituir o presidente.
A derrubada das árvores é, na verdade, o pano de fundo de uma disputa entre o grupo de associados e Ribeiro com relação à construção de um estacionamento, uma obra de R$ 2,5 milhões. O presidente quer fazer um prédio onde situam-se hoje as quadras de tênis. Estas seriam tranferidas para a área na qual foram derrubadas as árvores. Os sócios querem preservar o espaço de lazer e construir um estacionamento subterrâneo.
O engenheiro civil e construtor Mário Sérgio Silva presenciou o corte das araucárias e é testemunha no processo, na Polícia Florestal. Para ele, a diretoria do clube agiu à revelia da vontade dos sócios, que dizem ter pedido uma assembléia e não foram atendidos. ‘‘A atitude de cortar as árvores não foi dos tenistas, mas da própria diretoria’’, disse.
O presidente do clube considerou o episódio ‘‘uma bobagem’’. ‘‘Era só uma arvorezinha, que estava lá num canto. Temos milhares de árvores plantadas aqui’’, disse.
Ribeiro confirmou que não tinha licença para o corte. O argumento dele é de que as árvores não foram derrubadas, mas caíram em virtude da demolição de duas casas. Machados e pás apreendidas pela polícia, no entanto, revelam o contrário. ‘‘Eu desconheço isso’’, afirmou.Rede VerdeDois pinheiros foram cortados para abrir espaço para quadras de tênisJames Alberti

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