Menos de 10 dias depois do maior acidente ecológico dos últimos 25 anos, Londrina foi surpreendida por uma nova agressão ao meio ambiente, com despejo de grande quantidade de cloro no Córrego Guarujá. O Guarujá nasce em um fundo de vale na Vila Brasil (zona sul) e deságua no Córrego das Pombas que abastece o Ribeirão Cambezinho, um dos mais importantes da cidade.
A poluição atingiu uma das maiores reservas naturais do município, o Parque Arthur Thomas (zona sul), onde está localizada a sede da Autarquia Municipal de Meio Ambiente (AMA). Ontem pela manhã, funcionários da AMA detectaram espuma branca e mortandade de peixes no lago do parque, formado pelo Cambezinho. Dezenas de peixes mortos foram recolhidos ao longo do ribeirão e seus afluentes.
A princípio, técnicos da AMA e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) suspeitaram que a morte dos peixes fosse reflexo do desastre ecológico nos lagos Igapó 3 e 4, causado por vazamento de esgoto industrial da Companhia Cacique de Café Solúvel, no início da semana passada. Mas segundo a diretora técnica e operacional da AMA, Sílvia Saadjian, a presença da espuma branca e a morte de cascudos – o que surpreendeu técnicos já que são peixes extremamente resistentes – logo descartaram a possibilidade.
‘‘Pusemos uma equipe percorrendo, durante todo o dia, todos os afluentes que deságuam no Cambezinho e constatamos que o Córrego Guarujá apresentava pH elevadíssimo’’, afirmou. Segundo ela, ontem não foi possível detectar a fonte da poluição mas hoje será feita fiscalização em várias empresas da região. ‘‘É um trabalho demorado porque temos que testar o sistema de coletas de água e esgoto de todas. Vamos utilizar permaganato de potássio, com um técnico observando a saída das galerias de água’’, explicou.
De acordo com o diretor regional do IAP em Londrina, Andrew Pinheiro Neto, as amostras coletadas ontem no córrego Guarujá apontavam a presença de cloro na proporção de 5 partes por milhão (ppm), um índice considerado alto. ‘‘Na barragem do Ribeirão Cambezinho, dentro do Arthur Thomas, o índice era de 1 ppm, ainda muito elevado levando-se em conta seu volume de água’’, afirmou.
Segundo ele, o responsável pelo desastre ecológico deverá ser multado e responder processo por crime ambiental. ‘‘Assim que descobrirmos o responsável, iremos tomar medidas severas para coibir estes abusos’’, afirmou. Para o diretor do IAP, não há justificativa para o que aconteceu ontem. ‘‘Depois de tudo o que vem sendo noticiado nos últimos dias, ele não vai poder alegar ignorância sobre as consequências de seus atos’’, disse.
No final da tarde, a Folha flagou crianças caingangues, da reserva Apucaraninha, brincando com peixes mortos no Córrego das Pombas.

mockup