A produção de animais clonados gera polêmica e expectativas Quando a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado com sucesso, nasceu na Escócia, em 1996, a clonagem parecia algo futurístico e distante demais Contudo, apenas 14 anos depois, essa realidade está mais perto do que muitas pessoas imaginam Ontem, a FOLHA acompanhou o nascimento do clone do touro ''Irã'' O parto foi realizado no município de Tamarana, na fazenda experimental da Unopar
O trabalho está sendo desenvolvido graças a uma parceria da instituição de ensino superior londrinense, que entrou com o investimento e os animais, com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e alguns professores da Universidade de São Paulo (USP), campus de Pirassununga, que trouxeram a técnica e o conhecimento que possibilita a clonagem ''Juntamos as competências A UFPA e a USP dominam o conhecimento das técnicas, a união com a Unopar nos deu estrutura, investimento e garantia que os animais serão cuidados posteriormente'', disse Otávio Ohashi, pesquisador da UFPA
O nascimento acompanhado pela reportagem foi o décimo clone de um mesmo touro produzido desde que a parceria entre as três universidades começou há três anos Os quatro animais que estão vivos são idênticos, fisicamente e também geneticamente O parto de ontem foi bem sucedido As outras tentativas não tiveram êxito, os animais morreram horas ou alguns dias após o parto
A vaca ''Canjica'' também foi clonada pela equipe Quatro clones nasceram dela Uma novilha está viva, com cinco meses, e é chamada pela equipe de ''Canjiquinha''
Os pesquisadores consideram as experiências um sucesso Apesar disso, os clones precisam de um manejo adequado e de atenção especial Eles têm predisposição para apresentar algumas anomalias ''O umbigo maior que o normal favorece o aparecimento de infecções nos filhotes, os problemas cardíacos e pulmonares também são recorrentes'', disse Paulo Adona, coordenador do projeto na Unopar
Os quatro clones que estão vivos na fazenda da instituição não apresentam essas anomalias O novo bezerro vai passar por exames para identificar se ele tem algum problema de saúde Inicialmente os médicos afirmaram que o filhote tem o umbigo normal, essa era a maior preocupação da equipe nas primeiras horas de vida do clone ''O processo de clonagem é mais do que uma garantia de preservação genética do animal que nos interessa Essa técnica também permite estudar doenças da gestação humana'', disse Maria Angélica Miglino, pesquisadora da USP
Conforme o chanceler da Unopar, Marco Antonio Lafranchi, o objetivo da instituição é iniciar as pesquisas com a transgenia dentro de seis meses ''O clone é o caminho para chegarmos à vaca transgênica Estes animais serão produzidos com alterações genéticas que vão permitir diversas melhorias pra a vida do homem'', explicou

mockup