CLONAGEM - Cresce número de crimes eletrônicos em Londrina
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sábado, 26 de março de 2005
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Maria (nome fictício) costumava fazer transações bancárias via internet. Um belo dia ela retirou um extrato da conta e os R$ 5 mil que deveria estar aplicados, não estavam mais lá. Ela foi uma das 116 vítimas de um crime virtual, porém bem real, que está crescendo em Londrina.
De acordo com o delegado chefe da Polícia Federal (PF) de Londrina, Sandro Roberto Vianna dos Santos, o volume de crimes relacionados ao uso de tecnologia como clonagem de cartões e roubos de senhas, com posterior desvio de dinheiro de contas bancárias, está crescendo assustadoramente na cidade. Segundo ele, até meados de março deste ano, já foram abertos 116 inquéritos pela PF sobre esse tipo de crime, isso apenas relativo a um banco da cidade. Essa mesma instituição sofreu 49 vezes com os golpes eletrônicos em 2004 e 17, em 2003.
Segundo a análise de Santos, os fraudadores estão cada vez mais audaciosos. ''Eles (fraudadores) sabem muito bem como usar a tecnologia. Quando a polícia consegue descobrir como os golpes são arquitetados, logo depois, eles criam outra forma de tirarem vantagem'', declara.
Entre os bancos o assunto crimes eletrônicos é um tabu, contudo, são eles que arcam com os prejuízos do dinheiro que some das contas dos clientes. O delegado, entretanto, explica que na maioria dos casos os fraudadores agem em grupo. No caso dos cartões eletrônicos clonados uma espécie de chip captura os dados quando a pessoa usa um terminal eletrônico, pela internet a tática dos fraudadores é utilizar e-mails como isca para fisgar a senha do correntista.
Vianna esmiuça que quem usa caixas de banco onde existe apenas um terminal eletrônico está mais sujeito à fraude. De acordo com ele, os criminosos instalam um pequeno aparelho conhecido como 'chupa-cabra' para memorizar os dados do cartão. A senha pessoal, todavia, precisa ser observada por um dos fraudadores no momento em que o usuário faz o procedimento na máquina. ''As pessoa devem ficar mais atentas quando há presença de pessoas estranhas próximas, na hora de usar os caixas eletrônicos. É possível que a senha pessoal do cartão esteja sendo observada'', alerta.
A orientação do delegado é que os correntistas tenham precaução: evitar o uso dos caixas em pontos de atendimento, desconfiar de estranhos próximos na hora de fazer a operação bancária na máquina, procurar não usar os terminais bancários no final de semana, tirar extratos bancários com frequência para conferir se as transações estão corretas.
Quanto o assunto são as transações bancárias via internet, Vianna, declara que as pessoas não devem confiar em computadores de lan-houses para acessar a conta bancária, nunca repassar senhas ou dados da conta bancária por e-mails, certificar-se de que estão realmente na página da instituição financeira e não em um site fraudulento na hora de repassar os dados.
Segundo as últimas pesquisas realizadas pela consultoria britânica de segurança Mi2g, o Brasil manteve-se entre os países que mais tem casos de crimes cibernéticos. No final do ano passado, a PF divulgou um relatório que apontava que de cada 10 hackers do mundo, oito viviam no Brasil.


