Clínicas lotam após morte de deputado
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Patrícia Zanin 
A morte por infarto do deputado federal Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) provocou uma corrida aos consultórios e clínicas de cardiologia de Londrina. Ontem, médicos dessa especialidade consultados pela Folha atenderam, em média, 30% de pacientes a mais do que o normal.
Eles tiveram dificuldades para conciliar a agenda com os pedidos para consultas de última hora. Muitos precisaram encaixar pacientes entre horários de atendimento e dar expediente até mais tarde. Todo mundo queria receber orientação médica ontem mesmo. Os funcionários dos postos de saúde também precisaram prestar esclarecimentos sobre doenças do coração.
O cardiologista José Eduardo Siqueira, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), atribui a corrida dos pacientes aos consultórios a duas causas: a identificação com a faixa etária do deputado - que tinha 43 anos - e o que chama de fator transcendental. Nossa cultura não tem um tratamento adequado para a morte e ninguém convive bem com o tema. Sempre que ocorre um fenômeno seguido de outro e as pessoas não sabem lidar com a morte, procuram um médico para que ele diga: fique tranquilo, está tudo bem.
Siqueira é fundador do Comitê de Bioética da UEL e autor do livro Doenças do coração, que relaciona os aspectos psicológicos com os físicos no tratamento de doenças do coração. Siqueira diz que o stress, aliado aos fatores de risco e ao sedentarismo, é um dos grandes causadores de doenças do coração.
O cardiologista Luiz Carlos Miguita alerta para a necessidade de o paciente que apresenta os fatores de risco (ser fumante, diabético, hipertenso, obeso e ter alta taxa de colesterol) fazer check-up no mínimo duas vezes por ano. O tratamento em cardiologia evoluiu de tal maneira que hoje é possível oferecer o diagnóstico preciso e o tratamento precoce para evitar aborrecimentos, explica.
O médico diz que os hospitais de Londrina estão preparados para atender os casos de infarto com rapidez. Do início dos sintomas até o atendimento, o município consegue fazer a mesma média que Seattle, nos Estados Unidos, cidade considerada modelo, no mundo, em atendimento cardiológico. São apenas 22 minutos.
Para o cardiologista Antônio Nechar Júnior, a morte de Luís Eduardo Magalhães serviu de alerta funesto para uma reflexão sobre os cuidados que todos devem ter com o corpo. Infelizmente é assim. Quando ocorre um fato como esse as pessoas resolvem pensar melhor sobre comida, exercícios físicos e vícios como o cigarro. Ele recomenda uma alimentação saudável, sem excesso de gordura, além da prática de exercícios físicos moderados. Abandonar o cigarro também é importantíssimo, garante. Nechar Júnior acredita que o caso também serve de resgate ao velho ditado popular que diz prevenir é melhor que remediar.


