Clínicas estão lotadas e sem verbas
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de novembro de 1998
Anna Camanducaia 
Clínicas especializadas no atendimento a dependentes químicos em Curitiba estão superlotadas. Algumas instituições beneficentes têm até fila de espera e amargam a falta de ajuda governamental. A expectativa das entidades é que seja regulamentado o Fundo Estadual de Prevenção ao Abuso de Drogas (Funpred).
O projeto é do deputado estadual Beto Richa (PTB), que tem outro projeto em tramitação, propondo que os recursos do fundo venham da cobrança de impostos sobre bebidas alcoólicas e cigarros (1%). A proposta é de que os recursos sejam geridos pelo Conselho Estadual de Entorpecentes. O secretário executivo do Conen, Olien Zétola, diz que o fundo pode possibilitar até mesmo a construção de uma instituição oficial de tratamento. Hoje, o Conen tem condições de fazer apenas tratamento ambulatorial, mas a capacidade é apenas para oito ou dez por dia.
As instituições filantrópicas que trabalham na recuperação de dependentes químicos também não têm vagas suficientes.
As casas vivem de doações e não conseguem atender toda a demanda. Quem busca atendimento, mas não pode pagar, muitas vezes tem dificuldade em conseguir internamento e fica em filas de espera para conseguir tratamento. A Casa de Recuperação Esperança (CRE), em Curitiba, tem capacidade de atender 30 dependentes, mas hoje já está com 37 devido à grande procura. Segundo a fundadora da CRE, Maria Paula Corrêa, cinco pessoas ligam diariamente procurando uma vaga na clínica. Apenas 15 pessoas - das 37 internadas - dão ajuda mensal de R$ 150,00 para a CRE. Os pacientes que não podem fazer doações são tratados gratuitamente.
Seis pessoas estão esperando uma vaga na Casa de Recuperação Água Viva, em Campo Largo. Hoje, a clínica atende 50 dependentes. O supervisor Elson Santos diz que a intenção é ampliar o espaço, mas, para isso, é preciso buscar auxílio. A clínica vive de doações da comunidade e de trabalho voluntário.


